[Opinião] “O amante” de Marguerite Duras

6321780.jpgEste é um livro complexo, o que eu não antevia ao reparar na sua dimensão. São 179 páginas de uma narrativa simples apresentada de forma rebuscada. E eu não gostei!

Em O amante, um romance autobiográfico, Marguerite Duras (autora cuja obra desconhecia até agora) apresenta-nos a história de uma rapariga francesa de 15 anos que se envolve sexualmente com um homem chinês mais velho que ela e filho de um magnata local. É também um romance sensual, o que, embora a capa desta minha edição dê a entender o contrário, nada tem que ver com As cinquenta sombras de Grey! Esta relação pouco ortodoxa entre ambos é explicada de forma algo camuflada, o que torna a narrativa confusa e pouco apelativa.

As relações familiares da personagem principal também são abordadas e, apesar de reconhecer a coragem da autora ao expor-se a este nível (a relação dela com a mãe e o irmão mais velho era bastante má, por exemplo), não posso deixar de achar que talvez tivesse sido melhor ideia não querer inventar tanto! Por vezes, menos é mais!

Claro que podem dizer-me que este é um livro apenas para leitores mais experientes e concentrados, mas a verdade é que nem sempre entendo esta necessidade que os autores têm de mostrar que conseguem escrever nas entrelinhas. Não havia necessidade.

Enfim, há quem diga que esta é uma das melhores obras da autora. Não sei se será ou não, mas sei que tudo isto contribuiu para que não me apeteça ler mais nada dela tão cedo…

Desafios literários para 2016!

Para 2016, decidi criar, ou melhor, adaptar dois desafios literários para mim própria. Caso se queiram juntar, deixo-vos a lista dos autores que fazem parte do meu baralho de cartas literário e que pretendo ler ao longo deste ano e não só! Deixo-vos, ainda, os desafios publicados no 9GAG para 2015 e 2016 que eu decidi repescar para mim própria.

Para que tudo se torne mais claro, fica ainda no final deste post o vídeo que publiquei no canal onde procuro explicar melhor em que consistem estes desafios.

Boas leituras🙂

Primeiro desafio:

Desafio Baralho de Cartas Literário

Segundo desafio:

desafio 2016

 E agora em vídeo:

Balanço Leituras 2015

2015 foi o ano em que o meu gosto literário se tornou mais exigente. Li algumas coisas muito boas, outras nem por isso, mas percebi melhor o que uma obra precisa de ter para me agradar.

Li mais autores portugueses (e ainda bem!), poderia ter lido ainda mais mulheres, mas continuo a centrar-me nos países de língua inglesa, o que vai ter de mudar em 2016!

Deixo-vos aqui a lista das minhas leituras com as respectivas opiniões para que possam espreitar caso vos interesse!

1. Stephenie Meyer – Crepúsculo
2.Jen Campbell – Weird things costumers say in bookshops
3. Dorothy Koomson – A praia das pétalas de rosa
4. José Mauro de Vasconcelos – Meu pé de laranja lima
5. N. H. Kleinbaum – Clube dos poetas mortos
6. Jen Campbell – More weird things costumers say in bookshops
7. Jennifer Niven – Por lugares incríveis
8. Cammie McGovern – Amy & Mattew
9. Bianca Briones – As batidas perdidas do coração
10. Truman Capote – Boneca de luxo
11. Kathryn Stockett – As serviçais
12. Eugénio de Andrade – Antologia breve
13. Hélder Castro – Ecos do inconsciente
14. Rick Riordan – Percy Jackson e os ladrões do Olimpo
15. Rosa Lobato de Faria – A trança de Inês
16. Ann Bonwill – Não quero fazer ballet!
17. Álvaro Magalhães – O olhar do dragão
18. Francisco Moita Flores – A fúria das vinhas
19. Kiera Cass – A rainha
20. Beatrix Potter – A história de Pedrito Coelho
21. Emily Brontë – O monte dos vendavais
22. Pedro Chagas Freitas – Prometo falhar
23. Clarice Lispector – A bela e a fera
24. Dr. Spencer Johnson – Quem mexeu no meu queijo?
25. Kiera Cass – A herdeira
26. Gabriel García Márquez – Crónica de uma morte anunciada
27. Gabriel García Márquez – Memória das minhas putas tristes
28. Primo Levi – Se isto é um homem
29. Maria Alberta Menéres – Ulisses
30. Tracey Garvis-Graves – Sozinhos na ilha
31. Alice Vieria – Lote 12, 2º frente
32. Jorge Amado – O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá
33. Ivone Marques Umbelino Teixeira – Índio Bolha
34. William Shakespeare – Romeu e Julieta
35. Francisco José Viegas – Um crime capital
36. Stephen King – Misery
37. Edgar Allan Poe – Os crimes da Rua Morgue
38. Manuel Alegre – Cão como nós
39. Goethe – A paixão do jovem Werther
40. Rosa Lobato de Faria – Os linhos da avó
41. Afonso Cruz – Para onde vão os guarda-chuvas
42. Carina Rosa – Olhos de vidro
43. Rosa Lobato de Faria – A alma trocada
44. Afonso Cruz – Jesus Cristo bebia cerveja
45. Gillian Flynn – Em parte incerta
46. Dorothy Koomson – Os aromas do amor
47. Agatha Christe – A dez figuras negras
48. Paula Hawkins – A rapariga no comboio
49. Khaled Hosseini – O menino de Cabul
50. Afonso Cruz – A boneca de Kokoschka
51. Richard Zimler – Confundir a cidade com o mar
52. Robert Louis Stevenson – O médico e o monstro
53. Fiódor Doistoiévski – Noites brancas
54. Jonathan Safran Foer – Extremamente alto, incrivelmente perto
55. Nuno Nepomuceno – O espião português
56. Afonso Reis Cabral – O meu irmão
57. Carina Rosa – Um presente inesperado
58. Ana Luiz – Ashram
59. Carina Rosa – As gotas de um beijo
60. Antoine de Saint-Exupéry – O Principezinho
61. Nuno Nepomuceno – Redenção

[Opinião] “Manual de felicidade para neuróticos” de Nuno Amado

25267987Foi um pouco por coincidência que peguei em simultâneo em três livros escritos por três Nunos diferentes: Nuno Nepomuceno (O espião português, já lido), Nuno Camarneiro (Debaixo de algum céu, a ler) e Nuno Amado com este Manual de felicidade para neuróticos. Por coincidência também, até estava com um Nuno quando comprei este último! E é curioso ver como autores com o mesmo nome podem ter estilos tão diferentes entre si.

Manual de felicidade para neuróticos tem, talvez, um nome mais pomposo do que o livro o é na realidade. Escrito por um psicólogo, o livro é mais ligeiro e menos académico do que a formação do seu autor poderia sugerir e até do que sugeria as suas personagens principais: um escritor e um psiquiatra.

Como o próprio título indica, este livro fala da elaboração de um manual de felicidade que ficou a cargo, como disse, de um escritor (Gaspar) e de um psiquiatra (Amadeu), sendo financiado pela União Europeia. Escrito pela mão de Gaspar e com o contributo das histórias e das pessoas que Amadeu conhece, este manual não é mais que uma colecção de pequenas histórias com alguma moral pelo meio, misturadas com as conversas entre os seus dois criadores e outras personagens secundárias. É uma narrativa simples, por vezes divertida, mas não muito marcante ou que dê vontade de ler mais do autor a curto prazo.

Menção honrosa para esta capa, de tons leves e esteticamente muito agradável.

“Todos os problemas dos Homens são resultado das imperfeições do amor. Todos os Homens foram amados algum dia. Todo o amor é imperfeito. É nesse pequeno espaço de imperfeição, cuja proporção é a de um buraco de agulha para a Muralha da China, que nasce o desespero. Uma secura no fundo da garganta. Um pássaro morto no lado do eléctrico. Um café que nos é servido frio. Um café frio de manhã é o sinal de que não existe completude para o amor. Que por maiores que sejam os braços que nos contêm nunca serão suficientemente grandes. Mas é a imperfeição do amor que o faz tão magnífico. O erro é o espaço do humano. O arrependimento o seu mestre.” (p.158)

[Opinião] “As gotas de um beijo” de Carina Rosa

18278719Escrever uma opinião sobre este livro é-me algo ingrato. Queria muito gostar dele porque, em primeiro lugar, me foi emprestado por uma amiga e, por outro lado, porque qualquer pessoa que já tenha trocado meia dúzia de palavras com esta autora, Carina Rosa, se apercebe de como ela é simpática e é fácil gostar dela. Mas depois veio este livro e sou “obrigada” a falar sinceramente dele.

Parti para esta leitura com algumas reticências. Afinal, estamos a falar de um romance romântico e eu não sou apreciadora desse género. Porém, comecei a lê-lo tendo isso em conta e procurando abstrair-me ao máximo possível desse aspecto, até porque às vezes também é bom sairmos da nossa área de conforto. No entanto, embirrei (e aqui talvez o termo seja mesmo este) com alguns personagens desde o início deste As gotas de um beijo.

Gostei do facto de o trio amoroso deste livro ser constituído por duas mulheres e um homem, porque geralmente é ao contrário. Contudo, este homem, David, tem a mentalidade de um adolescente, comportamentos de um adolescente e é mais indeciso que um adolescente. O facto de um personagem me irritar tanto é positivo, só as personagens que nos são indiferentes não valem a pena, mas depois temos mais duas mulheres, Laura (a “vizinha” da loja ao lado do stand do David) e Diana (a sua amiga de longa data), que também não sabem se ficam ou se vão. Três imaturos/indecisos já me parece demasiado.

Depois temos os diálogos. Na minha opinião, era preferível existirem em menor quantidade, mas mais aprofundados. Achei-os, inclusive, repetitivos em alguns aspectos. Por exemplo, perdi a conta às vezes que li “amo-te”. Ok, estamos a falar de um romance, mas… Temos ainda algumas cenas “fofinhas” entre os personagens, mas elas acontecem uma vez e depois são referidas várias vezes ao longo do livro, o que acaba por fazer com que aquele momento romântico perca algum encanto.

Para além disto, achei que a questão da violência doméstica merecia mais desenvolvimento e que a alteração de comportamento do filho da Laura também foi algo repentina.

Se acompanham o blog/canal sabem que já li dois contos da autora, Olhos de vidro e Um presente inesperado, ambos posteriores a este livro. Nota-se, sem dúvida alguma, que a Carina melhorou em diversos aspectos nesses contos, mesmo que sejam obras de pequena dimensão. E ainda bem que comecei por eles, porque aí tive real noção do que ela é capaz. Contudo, e mesmo que este livro não me tenha enchido as medidas, espero continuar a acompanhar o trabalho desta autora e dar-lhe, nomeadamente, outra oportunidade com os romances, até porque ainda me espera o A sombra de um passado!

Ainda assim, até pela sinceridade que procuro colocar nas minhas opiniões, só vos aconselho a leitura deste livro se gostarem muito, mas mesmo muito, de romances muito, mas mesmo muito românticos, onde é privilegiado o romance face à construção das personagens ou do enredo. Não há dúvida que nos pode fazer suspirar, mas para algumas pessoas isso pode ser em demasia…

[Opinião] “Ashram” de Ana Luiz

27868053Li este conto por sugestão da Roberta (Blogue FLAMES). Para ser franca, se não fosse pelo seu entusiasmo e só pelo título eu talvez nunca o fosse ler (estão a ver a importância de trocarmos opiniões uns com os outros?). Embora agora que já o li tenha percebido o porquê do termo “Ashram” (se, tal como eu, não sabem o que significa talvez seja melhor fazerem uma pesquisa rápida), este seria talvez o único aspecto que, a meu ver, precisaria de ser repensado (apenas numa perspectiva de marketing literário).

Ashram é sobre um velho eremita que um dia recebe uma visita inesperada que acaba por se traduzir no final da história, algo que não estava à espera e que até me emocionou. Digamos que é algo que é particularmente familiar a muitos dos que me estão a ler e que está relacionado com a primeira frase do conto: Nos antigos territórios da Lusitânia, existiu em tempos um velho eremita. O problema dos contos é mesmo este: se disser muita coisa, estragaria a surpresa!

Este conto também se encontra disponível gratuitamente no Smashwords e podem acompanhar a Ana Luiz aqui. Gostei bastante da escrita da autora e tal como me aconteceu com mais contos de autores portugueses que li nos últimos tempos só tive pena que tivesse acabado tão cedo!