Balanço final de uma maratona e início de outra

Chega hoje ao fim a Maratona Viagens (In)Esperadas #1 (sim, porque esta era apenas a primeira edição!). E estou a fazer o balanço agora porquê, se a maratona só acaba às 23h59 de hoje? Pois bem, porque correu tudo muito bem com os três primeiros livros que escolhi (aqui, aqui e aqui), mas com os outros dois já não, e estou numa fase em que não leio livros que não me cativam logo de início. Há tanta coisa boa para ler que perder tempo com o que está a ser um frete é asneira!

Os livros lidos foram, portanto:

Captura de tela 2014-01-31 14.32.55Quanto aos livros não lidos, e apesar de o tempo para a leitura ter sido menos do que eu esperava nestes 5 dias de maratona, não os consegui ler por motivos muito simples: no caso do primeiro livro, não o consegui ler por ser um livro de fantasia, género de que nem sempre gosto; no segundo caso, tratando-se de uma espécie de livro de auto-ajuda, é preciso estar no momento certo para o ler. E eu não estou muito nessa onda agora!
Mas, lá está, há sempre quem goste deles e quem sabe se um dia eu também não me renderei também!!

Captura de tela 2014-01-31 14.35.37Terminada esta maratona no final de Janeiro, segue-se logo outra entre 1 e 9 de Fevereiro, desta feita em equipas, que descobri no blog da Cata (Páginas Encadernadas). Nesta maratona, somos desafiados a ler livros cujas capas são maioritariamente de uma cor (uma para cada uma das quatro equipas), mas o desafio é opcional. Calhou-me o azul e dei por mim a vasculhar toda a estante à procura de livros dessa cor. Não tinha muito por onde escolher (ainda para mais tendo em conta que o livro azul, na imagem em cima, já estava fora de hipótese!), mas acabei por escolher este:

Captura de tela 2014-01-31 15.00.28Se procurarem imagens dele na ‘net, vai parecer-vos que tem mais branco que azul na capa, mas espero que nas minhas fotos dê para ver melhor!
Parto para ele sem qualquer tipo de expectativa, porque já nem me lembrava que o tinha, desconheço a autora e nem pegaria nele tão cedo se não fosse pela cor. Talvez seja melhor assim!
Mesmo sendo uma maratona de 9 dias, este é um livro de dimensões consideráveis (636 páginas), pelo que quero mesmo é ler este. Sobrando tempo, talvez continue O retrato de Dorian Gray ou O voo final, de Ken Follett, que já tinha começado (mal, mas tinha)!

[Filme] In time

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Este filme é muito estranho!!! Em In time, chegadas aos 25 anos, as pessoas param de envelhecer (o que faz com que até as pessoas com centenas de anos pareçam super jovens), mas tudo é pago em tempo. Ou seja, cada um tem o seu relógio (como vêem no braço do Justin Timberlake, em cima) e paga tudo aquilo de que necessita em minutos, horas, anos… Alguns, de famílias menos abastadas, vão trabalhar para arranjar esse tempo (que, no fundo, quase equivaleria ao nosso dinheiro), outros, de famílias mais ricas, têm anos que nunca mais acabam e que vêm dos negócios que as suas famílias foram construindo (bancos – de tempo, claro -, por exemplo). E além de gastarem o tempo a pagarem aquilo que consomem, o tempo também vai desaparecendo no relógio à medida que o tempo avança. Parece confuso, eu sei!! Eu avisei logo no início! No fundo, quando o relógio chega aos 0, a pessoa morre. Ou porque a pessoa gastou todo o seu tempo, ou porque foi roubada, enfim…

No filme, Will Salas (interpretado por Justin Timberlake) é falsamente acusado de ter roubado todo o tempo de um homem (o que levou à sua morte), e este lutará, ao lado da rica Sylvia Weis (papel desempenhado pela actriz Amanda Seyfried, que nem estava a reconhecer assim morena) para provar a sua inocência e para desmontar este sistema. Uma história de amor, como devem calcular!

No fundo, este filme é uma espécie de comparação entre a moeda deles, o tempo, e a nossa (literalmente uma moeda), e as coisas que as pessoas são capazes de fazer por ela. Esse é o ponto positivo do filme, o facto de metaforicamente nos fazer reflectir sobre um tema que nos é próximo. Por outro lado, é algo tão confuso e surreal que facilmente se percebe porque desagradou a alguns críticos.

Vejam outra coisa 😉

Classificação:
6/10

[Livro] “Fado” de José Régio

(este foi o terceiro livro que li para a primeira edição das Maratonas Viagens (In)Esperadas)

23 de janeiro de 2014 (26)

Sou uma péssima leitora de poesia! Tenho de ler várias vezes o mesmo poema para o conseguir entender, e a culpa disso é minha porque leio um livro de poesia de ano a ano! Sei que é uma questão de hábito, que me adaptaria a este género se o lê-se mais, mas a verdade é que sou uma amante da prosa e não há como contrariar isso!

Porém, este livro tem uma vantagem (no sentido de me cativar): toca em algumas questões que me são próximas (como é o caso do poema sobre Vila do Conde) ou em questões que me sensibilizam (a prostituição, por exemplo). O próprio título do livro – Fado -, que é também parte do título de vários poemas, é tão português que começa por nos agradar logo aí.

Como tudo que eu vos possa dizer ficará sempre aquém do que eles (a obra e o autor) realmente merecem, deixo-vos um poema que consta do livro para que possam apreciar boa poesia:

Fado do amor, José Régio

Passaste por mim um dia,
Eras mulher e criança,
Tinhas uma expressão mansa
Coma de triste alegria…
Luz do luar, luz do dia,
Luz do céu do amanhecer,
Que luz posso eu conceber
Que teu sorriso não desse,
Teu olhar não recolhesse,
Eras criança e mulher…?Passaste por mim, passaste
Num dia da minha vida,
E hora jamais esquecida,
Em que ambos dois resgataste,
Foi aquela em que deixaste
Teu olhar no meu cair,
A tua boca sorrir,
(Nem sei se me viste ou não…)
E a tua mansa expressão
Benzer todo o meu porvir!

Eras criança e mulher,
Tinhas petulante e doce,
Um jeito como se fosse
De quem quer dar, receber…
Eu começava a saber
Que era uma pobre criatura
Das que vivem na loucura
De redimir tudo, e todos,
E têm falas e modos
De altiva e triste figura…

Passaste, olhaste, sorriste,
Naquela semana inteira,
Com sempre a doce maneira
Como de alegria triste.
Nem sei, sequer, se me viste,
Não vou jurar que me vias
Depois passaram-se os dias,
A vida meteu-se ao meio,
Quanto havia de vir veio,
Fui-me embora e tu partias…

Há quantos anos foi!,
Pensas que pude esquecer-te?
Crês que deixei de rever-te
Na saudade que me dói?
Sim, já não sou esse herói
Vibrante e meditabundo
Que nada via no mundo
Senão luz dum mais-além…
Mas tu caíste também,
Qual de nós caiu mais fundo?
(…)

Classificação:
3/5

[Livro] “Heidi” de Johanna Spyri

23 de janeiro de 2014 (33)

Esta história dispensa apresentações. Todos nós nos cruzamos em maior ou menor grau com ela na infância, embora em desenhos animados ou em livros muito resumidos e cheios de ilustrações. Tudo o que de novo vos possa dizer sobre este livro prende-se com as sensações que ele me provocou e as memórias que me fez repescar.

Quem gosta de crianças, quem gosta dos seus avós e quem gosta da interacção entre avós e netos não pode ficar indiferente a esta história. Heidi (e este não era o seu nome verdadeiro) era uma criança tão viva, tão inocente e ao mesmo tempo tão traquina e querida que nos dá vontade de ter uma dessas em casa, se fosse possível. Faz-me lembrar cada uma das crianças que me rodeiam habitualmente, todas cheias de respostas inesperadas. Porém, ao contrário das crianças de hoje em dia, Heidi só era feliz em liberdade, sem grandes confortos, na casa do avô que todos temiam, mas que só ela conhecia no seu íntimo. Nos últimos tempos, todos nos temos esquecido de como o campo, o ar puro, o contacto com os animais, com a terra, fazem bem. Fechamos as nossas crianças em casa, damos a desculpa da falta de tempo para os levar lá para fora e dizemos que sozinhos também não podem ir (e, efectivamente, hoje em dia já não podem mesmo). Torna-se mais fácil pô-los a jogar consola do que deixá-los andar no meio das cabras e ficarem todos sujos. Modernices!

O avô da Heidi é a minha personagem preferida. Pelo simples e tão importante facto de que vi nele muito do meu avô: sempre cheio de engenhocas e soluções por detrás de uma cara carrancuda, cara essa que desfazia para quem ele gostava. Um exemplo de como a sabedoria se adquire de muitas maneiras, mas que só a partilhamos com quem queremos. É uma ternura a relação entre este Velho do Planalto e a pequena Heidi (quem não se lembra das faces rosadas da Heidi, tão bem descritas no livro?).

A amizade da Heidi, tão nova, com Pedro e depois com Clara e respectivas famílias chega a ser comovente. A forma como desde os cinco anos a pequena Heidi procura o conforto dos outros, sobretudo dos mais velhos como a avozinha, e a inocência mostrada na forma como quer curar a cegueira desta são enternecedoras.

Este livro é uma lição de vida! E desperta os nossos sentidos. Dei por mim a sentir os raios de sol na minha cara (o que veio a calhar, com a chuva que se faz sentir), a querer voltar para o campo como fazia em criança com o meu avô e, principalmente, até pagava para poder voltar a aprender a ler e a sentir novamente o entusiasmo que senti ao fazê-lo aos meus 6 anos, tal como a Heidi sentiu no livro. Cheirou-me a leite de cabra, a flores. Senti frio. Senti vento. Tudo sem sair do sofá!

Só vos posso dar um último conselho: leiam este livro. Leiam mesmo! E ofereçam às vossas crianças. Eu já sei a quem o vou oferecer daqui a uns anos 🙂

Classificação:
4/5

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[Livro] “Contos breves” de Olinda P. Gil

(Primeiro livro que li na maratona literária em que estou a participar no momento.)

23 de janeiro de 2014 (5)Este pequeno livro, como o próprio título indica, é uma colectânea de contos que a autora, Olinda Gil, escreveu na altura em que publicava as suas histórias no DN Jovem. Alguns dos contos presentes no livro foram publicados lá, outros foram escritos na mesma altura, mas trabalhados a posteriori. O livro só foi publicado muito recentemente, em novembro de 2013.

Confesso que não conhecia a escritora. Ganhei este livro num passatempo do blog da Silvana, como já vos tinha contado. Desde logo achei muito simpático da parte da autora ser ela própria a enviar-me o livro com uma pequena dedicatória e já tratei, inclusive, de começar a seguir o blog onde ela escreve, blog esse onde lhe vou deixar esta opinião também! Sei que a Olinda gosta de receber o feedback dos leitores e acho muito positivo quando podemos interagir com os escritores.

Ora bem, quanto aos contos propriamente ditos, uma coisa que me agradou logo neles foi a escrita da autora. Como já li algures, é uma escrita limpa. Tudo muito bem pontuado e com sentido. Acreditem que já li livros supostamente muito bons a pecarem nestes aspectos. Em alguns deve ter sido culpa da tradução, mas noutros, portugueses, nem por isso!

Como este é um género literário que eu aprecio muito e como me faz lembrar, de certa forma, um dos meus escritores portugueses preferidos (Pedro Paixão), o meu espírito crítico acentua-se ainda mais neste tipo de livros. Aqui, posso dizer que há contos para todos os gostos. As temáticas são bem diversas: desde o 25 de abril, à religião, passando pelo amor. Uns contos cativaram-me mais que outros. É o caso de Multidão (este até o li três vezes seguidas por gostar tanto!), Liberdade de escrita (uma grande verdade neste conto!), A vela (um ponto de vista muito interessante sobre a morte) e Como lhe dizer que o amo (quase de certeza que praticamente toda a gente já passou por algo semelhante em determinada altura da vida, nem que tenha sido na adolescência). Achei que João e Maria dava para mais e que Organismos era menos cativante que os restantes contos. Mas isto, claro, é algo muito pessoal e dependerá da personalidade de cada leitor.

Apreciei bastante as ilustrações, da autoria de Claudia Banza que, a meu ver, constam nos contos certos!

No geral, faço uma apreciação muito positiva deste livro e, lá está, faz-nos pensar se não deveríamos investir mais nos autores que temos em Portugal e se não deveríamos investir mais na língua portuguesa, sobretudo quando bem usada!

Classificação:
3/5

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[Livro] “Rapariga com brinco de pérola” de Tracy Chevalier

23 de janeiro de 2014 (4)

Aconselho este livro a todas as pessoas que gostam de pintura! Quer estejam profissionalmente ligados a ela, quer apenas gostem mesmo sem serem entendidos no assunto, leiam! Aliás, é uma espécie de reflexão que pode ser alargada a outros ramos artísticos.

Este livro baseia-se num quadro do pintor holandês Johannes Vermeer (apesar de outros serem descritos no livro e de também aparecerem no filme baseado neste livro) e o nome do quadro já dá uma ideia do que nele figura. Nunca se soube ao certo a história por detrás desta obra, então a autora, Tracy Chevalier, pôs a sua imaginação a funcionar e o resultado foi este! Foi muito inteligente da parte dela. Eu, como apreciadora, por um lado, de pintura e, por outro, de literatura, depressa fiquei agarrada ao livro. O quadro, aliás, mexeu muito comigo. Não sei se com vocês também!

Basicamente, o livro conta a história de uma rapariga que se vê obrigada a ir trabalhar na casa do pintor Johannes Vermeer (onde este mora com a mulher, a sogra e os seus vários filhos – cujo número está sempre a aumentar – e com os criados) depois de o seu pai ter ficado cego e de ter perdido o emprego. Como era muito atenta às cores, à luz e a outros factores que interferem na criação artística, Griet, a criada, era a pessoa indicada para limpar o estúdio deste pintor, que não queria que nada fosse mudado de lugar, por pouco que fosse. É muito engraçado ver como a Griet faz as suas medições para que tudo fique limpo, mas pareça que não foi mexido! Já estão a imaginar que a proximidade entre patrão e empregada acontece, para desgosto da mulher. Contudo, o final do livro não é o típico final dos romances “e foram felizes para sempre”, vale a pena também por isso!

Um dos factores que me faz gostar ou não de um livro é a forma como a acção é descrita e os sentidos que ela me faz despertar. Pois, neste livro digo-vos já que consegui imaginar muito bem os diferentes cenários, criar uma imagem mental de todos os quadros descritos e simpatizar mais ou menos com cada personagem (há uma das filhas do pintor, uma criança, que dá muito nos nervos por ser tão má!).

Tive a oportunidade de “trabalhar” durante um ano da minha vida com estas questões da criação artística e este livro é um excelente exemplo de como uma obra não nasce do nada, como cada artista é um caso, de como cada artista tem o seu tempo e a sua forma de trabalhar. É uma reflexão que vale a pena ler até porque, se vos acontecer como a mim, facilmente a lêem numa tarde!

Classificação do livro:
4/5

_____________

Por fim, deixo-vos algumas obras de Vermeer para vos adoçar a vista neste fim de semana 🙂 Ele gostava muito da figura feminina!

Johannes Vermeer - obras

Maratonas literárias “Viagens (in)Esperadas” #1 – Os meus objectivos

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No final de 2013 participei, pela primeira vez, numa maratona literária, organizada pela Silvana (do blog Por detrás das palavras) e pela Catarina (do blog A sonhar de olhos abertos). Gostei tanto da maneira como as coisas foram conduzidas que a páginas tantas eu própria já estava a dar ideias para maratonas futuras. As ideias que eu e outros participantes fomos dando não só foram aceites, como começam agora a serem postas em prática. Assim, começa à meia-noite de amanhã, dia 27, a primeira de uma série de maratonas literárias que se supõem mensais. O tema da primeira (escolhido por maioria no grupo criado no Facebook para o efeito) é “Livros escritos por autores que nunca leram” e, então, como isso é coisa que não me falta na estante, impus-me um desafio um pouco ambicioso: cinco dias, cinco livros (não muito grandes, mas cinco!).

1. Contos breves de Olinda P. Gil
Ganhei este livro num passatempo do blog da Silvana. Fiquei muito curiosa, até porque não conhecia a autora (neste mundo literário estamos sempre a aprender, como em tudo na vida, aliás!) e então, até porque se encaixa no tema da maratona, vai ser esta a minha primeira leitura.
23 de janeiro de 2014 (5)2. Fado de José Régio
É uma falha minha, mas a verdade é que não leio muita poesia. E outra falha é o facto de nunca ter lido José Régio, mesmo morando não muitooo longe da sua casa-museu, em Vila do Conde, casa essa que já visitei. Também é uma forma de me sentir menos mal pelos livros que já comprei em 2014!
Tenciono ler este livro de forma intercalada com os restantes!
23 de janeiro de 2014 (26)3. Heidi de Johanna Spyri
Bem, é um livro que dispensa apresentações. Mesmo que não o tenham lido, certamente que conhecem a história, nem que seja por alto. Uma leitura leve que acho que combina com o espírito de uma maratona!
O meu livro já é tão antigo (comprei-o numa alfarrabista) que de lado até já está a descolar!
23 de janeiro de 2014 (33)4. As aventuras de João sem medo de José Gomes Ferreira
Para vos ser sincera, não faço ideia do que me levou a escolher este livro para esta maratona!! Olhei para a estante e achei que se enquadrava, sem grandes conhecimentos sobre ele. A ver vamos se foi um palpite certeiro!
23 de janeiro de 2014 (31)5. O monge que vendeu o seu Ferrari de Robin S. Sharma
Este livro foi-me aconselhado por uma pessoa que admite que não gosta muito de ler, mas que gostou deste livro. Já mal me lembrava que o tinha, para ser franca. Sei que o comprei com a revista Sábado há vários anos, e a julgar pela informação que o próprio livro traz deve ter sido em 2006… Parece-me uma coisa assim no âmbito da auto-ajuda, mas a ver vamos!
26 de janeiro de 2014 (3)Optei por escolher livros mais pequenos e não muito difíceis de ler. Acho que dá mais ritmo à coisa ler vários livros pequenos do que apenas um maior! E se nesta maratona houver desafios como os que existiram na maratona de Dezembro é preferível ler vários livros diferentes 😉

Objectivo:
5 livros
104 + 120 + 312 + 170 + 218 = 924páginas