[Livro] “Fado” de José Régio

(este foi o terceiro livro que li para a primeira edição das Maratonas Viagens (In)Esperadas)

23 de janeiro de 2014 (26)

Sou uma péssima leitora de poesia! Tenho de ler várias vezes o mesmo poema para o conseguir entender, e a culpa disso é minha porque leio um livro de poesia de ano a ano! Sei que é uma questão de hábito, que me adaptaria a este género se o lê-se mais, mas a verdade é que sou uma amante da prosa e não há como contrariar isso!

Porém, este livro tem uma vantagem (no sentido de me cativar): toca em algumas questões que me são próximas (como é o caso do poema sobre Vila do Conde) ou em questões que me sensibilizam (a prostituição, por exemplo). O próprio título do livro – Fado -, que é também parte do título de vários poemas, é tão português que começa por nos agradar logo aí.

Como tudo que eu vos possa dizer ficará sempre aquém do que eles (a obra e o autor) realmente merecem, deixo-vos um poema que consta do livro para que possam apreciar boa poesia:

Fado do amor, José Régio

Passaste por mim um dia,
Eras mulher e criança,
Tinhas uma expressão mansa
Coma de triste alegria…
Luz do luar, luz do dia,
Luz do céu do amanhecer,
Que luz posso eu conceber
Que teu sorriso não desse,
Teu olhar não recolhesse,
Eras criança e mulher…?Passaste por mim, passaste
Num dia da minha vida,
E hora jamais esquecida,
Em que ambos dois resgataste,
Foi aquela em que deixaste
Teu olhar no meu cair,
A tua boca sorrir,
(Nem sei se me viste ou não…)
E a tua mansa expressão
Benzer todo o meu porvir!

Eras criança e mulher,
Tinhas petulante e doce,
Um jeito como se fosse
De quem quer dar, receber…
Eu começava a saber
Que era uma pobre criatura
Das que vivem na loucura
De redimir tudo, e todos,
E têm falas e modos
De altiva e triste figura…

Passaste, olhaste, sorriste,
Naquela semana inteira,
Com sempre a doce maneira
Como de alegria triste.
Nem sei, sequer, se me viste,
Não vou jurar que me vias
Depois passaram-se os dias,
A vida meteu-se ao meio,
Quanto havia de vir veio,
Fui-me embora e tu partias…

Há quantos anos foi!,
Pensas que pude esquecer-te?
Crês que deixei de rever-te
Na saudade que me dói?
Sim, já não sou esse herói
Vibrante e meditabundo
Que nada via no mundo
Senão luz dum mais-além…
Mas tu caíste também,
Qual de nós caiu mais fundo?
(…)

Classificação:
3/5

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