Top 5: Maus hábitos literários

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Vi no These moon reads um post da Catarina sobre os seus cinco piores hábitos literários. Nunca tinha parado para pensar na questão, mas a verdade é que tenho estas manias, sem qualquer ordem específica:

1. Não consigo ler em silêncio
Sei que a maioria dos leitores são totalmente o oposto de mim, mas eu dificilmente leio sem barulho. Gosto de ouvir sons à minha volta (menos pessoas a falarem directamente para mim) e avalio a qualidade de um livro pela capacidade que este tem de me fazer abstrair dos ruídos envolventes!

2. Leio mais depressa um livro do meio para o fim
Acontece-me frequentemente isto: demoro dias a ler a primeira metade de um livro e a partir daí, talvez por ver o fim aproximar-se e querer chegar lá depressa, a segunda metade do livro vai numa tarde. Se conseguisse ler sempre a esse ritmo leria certamente o dobro!

3. Estou sempre a fazer contas mentais sobre as páginas que faltam
É que faço contas para tudo: para o fim do capitulo X, para o fim da parte Y, para o final do livro. E faço médias mentais, do género: hoje li 50 páginas e demorei uma hora, amanhã tenho duas horas livres e acabo o livro. Escusado será dizer que isso raramente sai como estimado!

4. Tenho mil e um cadernos onde faço apontamentos sobre as minhas leituras
Não adianta. Compro um caderno todo bonitinho, escrevo a primeira página com uma letra catita, as seguintes já com letra mais escangalhada, e depois acabo por parar de apontar.

5. Peso os livros de maior dimensão
Conhecem alguém que faça isto? Pois, eu também não!

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[Livro] “O espião português” de Nuno Nepomuceno

(Este foi o terceiro livro que li no âmbito da segunda Maratona Literária Viagens (In)Esperadas.)

O Espião PortuguêsParti para este livro com algumas expectativas: primeiro, porque o livro me foi oferecido por uma pessoa muito querida para mim e queria gostar dele; depois porque, tal como podem ver na capa, este livro recebeu o Prémio Book.it 2012 e há sempre aquela tendência para achar que se recebeu um prémio é porque é bom. Mas este livro tem um problema… só depois de termos chegado mais ou menos a meio é que começamos a ficar mesmo dentro da história, a simpatizar com algumas personagens e a odiar tanto outras que, pessoalmente, cheguei ao ponto de começar a falar sozinha, tipo “olha que filho da mãe”.

Resumidamente, este livro é um thriller (confesso que não é um género literário do qual eu conheça muitos exemplares portugueses) que conta a história de André Marques-Smith, funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros português e que, em paralelo, é espião da Cadmo, tal como já foram os seus pais. É, portanto, um homem com vida dupla, sendo que neste livro, além do paralelismo funcionário exemplar vs. espião, temos um André apaixonado por uma mulher que é uma bitch.

A missão de André é encontrar as quatro partes de uma arma, algo ainda mais difícil porque uma outra agência quer fazer a mesma coisa. Pelo meio, André vai perceber que os seus amigos/colegas espiões podem não ser tão confiáveis assim e vai perceber que a sua própria família lhe esconde algo terrível (e esta parte sim, para mim foi ainda mais mirabolante que o facto de termos espiões enfiados no MNE português, mesmo isto sendo um livro de ficção).

Como ponto positivo aponto o facto de os diálogos serem muito reais, sobre coisas do dia-a-dia como “vai pôr a mesa” e de fazer referência a várias marcas, programas de tv e outros aspectos tipicamente portugueses, bem como filmes ou músicas que existem e que podemos ir ver/ouvir.

O final pareceu-me um pouco em aberto, mas depois percebi que a intenção do autor é escrever uma trilogia, então está perdoado e, mesmo não tendo ficado como um dos meus livros preferidos, vou procurar ler a continuação se ela entretanto aparecer! Podem ver mais informações no site do autor.

Se o livro tivesse sido mais empolgante desde o início, certamente dar-lhe-ia uma classificação melhor!

Classificação:

3estrelas

[Livro] “A herança de Eszter” de Sándor Márai

(Este foi o segundo livro que li na segunda edição das Maratonas Literárias Viagens (In)Esperadas.)

A-Herança-de-EszterO tema da maratona em que estou a participar no momento é “um autor, um país” e então, como já queria ler um autor americano e um português (muito previsível, não?) achei que a terceira opção (que na prática foi o segundo livro que li) devia ser uma coisa mais improvável. Não pensei muito, entrei no escritório e foi o primeiro livro que tirei da estante logo na primeira prateleira junto à porta. Como este, da colecção da Sábado, tenho muitos mais. Era uma forma também de dar uso a tantos livros deste género…

Ainda não percebi bem qual a nacionalidade de Sándor Márai. Supostamente é húngaro, mas a cidade onde nasceu agora pertence à Eslováquia. Bem, deve ser húngaro na mesma, embora o homem tenha passado pelos EUA também.

Do mesmo autor já tinha lido As velas ardem até ao fim, embora já não me lembre da história. Shame on me! Mas lembro-me que se lia muito rapidamente e que, tal como este A herança de Eszter, é daqueles livros introspectivos. Penso que gostar ou não destes livros vai depender muito do estado de espírito que o leitor atravessa no momento.

Neste livro, temos uma Eszter que há 20 anos não vê o amor da sua vida, Lajos, sendo que esse homem foi casado com a sua falecida irmã. Lajos era um canalha, literalmente falando, enganando toda a gente, abusando da boa vontade de todos e, embora todos saibam disso, ninguém consegue dizer-lhe que não. Nem Eszter, tantos anos depois.

É uma bonita reflexão, pois dá-nos que pensar sobre as mágoas que fomos guardando ao longo do tempo, as coisas que não dissemos e que fomos acumulando e que nos interrogamos se algum dia vamos ser capazes de dizer a quem as merece ouvir… Uma boa leitura para uma tarde chuvosa em que nos enroscamos numa manta no sofá!

Classificação:

3estrelas

[Livro] “Segredos imorais” de Brian Freeman

(Este foi o primeiro livro que li na segunda Maratona Literária Viagens (In)Esperadas.)

brian freeman - segredos imoraisTinha este livro, salvo erro, desde 2012, uma vez que o tinha comprado numa daquelas promoções loucas (mas boas!) da Editorial Presença onde só pagamos os portes (curiosamente, agora que estava a ler este livro a Presença resolveu fazer outra promoção do género!). Resolvi pegar nele depois de ter lido uma opinião muito positiva da Cristina Delgado sobre este Segredos imorais Cidade inquieta do mesmo autor.

O que vos posso dizer sobre este livro? Bem, fez-me lembrar-me – e muito! – séries como CSI ou NCIS. Imaginem o que é ter a morte/desaparecimento de duas jovens, que aparentemente não têm ligação alguma, mais o trabalho dos detectives envolvidos no caso e as suas relações amorosas pelo meio. Tenho cá para mim que é dos tais livros que dava um filme! Não estava mesmo a prever quem era(m) o(s) culpado(s), se bem que também não sei até que ponto faz sentido o desfecho que o autor escolheu. É um thriller de qualidade razoável, que tem como aspectos positivos o facto de ter capítulos pequenos e de não deixar pontas soltas.

Não conhecia o autor americano, mas na altura em que a Presença fez a tal promoção gostei da sinopse (no site da editora temos direito a vídeo do autor e tudo). Estas promoções têm mesmo a vantagem de nos fazerem conhecer autores novos, a preços convidativos.

Classificação:
3.5estrelas

[Filme] The breakfast club

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Aos poucos, vou-me redimindo em relação aos filmes que toda a gente viu menos eu. The breakfast club, um filme de 1985, é um exemplo disso.

Provavelmente, não estou a contar-vos nenhuma novidade, mas este é um filme sobre cinco adolescentes que ficaram de castigo durante um sábado inteiro no liceu devido a asneiras que fizeram, sendo que cada um deles representa um “tipo” de adolescente, digamos assim. Temos o nerd que tira sempre boas notas, o revoltado que vem de uma família disfuncional, o desportista que tem de ganhar tudo, uma mentirosa compulsiva que todos ignoram e a típica rainha da escola (é um filme assente em estereótipos e eu própria os usei agora!). Aparentemente todos diferentes, acabam por descobrir que todos eles têm relacionamentos pouco saudáveis com os seus pais e aquilo que parecia nunca vir a resultar numa amizade parece que pode vir a resultar nisso mesmo.

Gostei do filme devido, por um lado, ao facto de continuar a ser actual e, por outro, à forma como cada um dos personagens consegue tocar nos pontos fracos dos outros. A relação entre adolescentes, e entre os adolescentes americanos em particular, continua a ser assim, uma mistura entre a comédia e a tragédia e este é, sem dúvida, O filme sobre o ensino médio.

Curioso também foi verificar o actual “aspecto” dos actores, que na altura em que o filme foi feito tinham à volta de 20/30 anos e hoje estão na casa dos 40/50. Alguns, aliás, eu conhecia-os no seu “estado” actual, mas nunca os associaria a esta imagem adolescente se não tivesse pesquisado sobre eles.

É, portanto, 1h30 de filme que vale a pena!

Classificação:
7.5

Maratona Literária Viagens (In)Esperadas #2 – O meu plano

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Pois é, chegou a segunda Maratona Literária Viagens (In)Esperadas de 2014 (entre 18 e 23 de fevereiro) levada a cabo pela Catarina (A sonhar de olhos abertos) e pela Silvana (Por detrás das palavras) e dinamizada no grupo no Facebook para o efeito.
Desta vez, o tema escolhido é “Um autor, um país” e, nesse sentido, escolhi três livros de autores de nacionalidades diferentes. Como um dos outros temas que não foram escolhidos estava relacionado com autores nacionais, decidi aproveitar e incluir um autor português nesta maratona, visto que também se enquadrava.

maratona - desafio 1-2Conto terminar o Segredos Imorais de Brian Freeman (americano), ler A herança de Eszter de Sándor Márai (este escritor nasceu húngaro, mas actualmente essa cidade pertence à Eslováquia) e ler (ou pelo menos dar um avanço) n‘O espião português do autor português Nuno Nepomuceno (Prémio Book.it em 2013).

Tal como nas outras maratonas organizadas por estas meninas, vamos ter desafios diários e desta feita será sorteado um livro gentilmente cedido pel’A mulher que ama livros (Cláudia Oliveira) entre os participantes nestes desafios. Da última vez que houve um sorteio deste género saiu-me uma capa lindíssima, por isso vale mesmo a pena participarem 😉

13 de janeiro de 2014 (4)