[Opinião] “História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar” de Luis Sepúlveda

CCA4_LP_F02_XP8_dupLayoutQuem acompanha aqui o blog ou o canal já me ouviu dizer que um dos meus livros preferidos (e aquele que li mais vezes) é “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá” do Jorge Amado. É que gosto de tudo. Gosto das ilustrações, acho a história um amor, o que levou o autor a escrever essa história também me enternece e não consigo apontar-lhe um defeito.

Posto isto, não é de admirar que este livro do Luis Sepúlveda, cujas personagens principais não são muito diferentes das do livro do Jorge Amado, me tenha chamado a atenção. Li-o no Kobo e nem por ser a preto e branco as ilustrações perderam o valor.

O título do livro já conta grande parte da história. Não é comum vermos um gato a cuidar de uma gaivota e as condições em que tal acontece são muito particulares. É uma história de companheirismo, de responsabilidade, de trabalho em equipa, de amor e de aceitação da diferença. É daqueles livros que se deve ler às crianças vezes sem conta. Não é à toa que já ando à procura de um exemplar em papel para mim!

Ainda assim, continuo a preferir “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”, talvez porque envolve um leque de personagens mais diversificado e porque temos uma história de amor noutro sentido.

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[Opinião] “O diário da princesa” de Meg Cabot

o diário da prncesaComo já vos disse, Novembro tem sido um péssimo mês ao nível das leituras. Por esse motivo, cheguei a um ponto em que desisti de tentar ler grandes livros e optei por coisas mais leves.

Bastou-me ouvir alguém falar destes livros (que são aí uns 10 ou mais!) para pensar: “Bem, Silvéria, se calhar é melhor começares por aqui…”. E, bem, que dizer? Lê-se. Já devem, muito provavelmente, conhecer o filme com o mesmo nome. Aqui, temos a história de Mia, uma adolescente nova-iorquina, com os típicos problemas dos adolescentes – era muito alta, sem peito algum e não sabia relacionar-se com os rapazes – que, de repente, descobre que é filha do Príncipe de Genovia. Ora, a Mia só queria passar despercebida, o que deixou de ser possível a partir do momento em que os colegas de escola e o mundo em geral descobrem as suas origens. E é esta a vida que vamos acompanhando em jeito de diário.

Se é um livro por aí além? Não. Mas é divertido em algumas partes, é leve e dá uma certa vontade de ler o livro seguinte para saber o que aconteceu à Mia.

[Opinião] “Uma duas” de Eliane Brum

15977764Tomei conhecimento da existência deste livro através de vários canais brasileiros e, mais tarde, através do canal A mulher que ama livros. O título, confesso, é só dos mais feios que já vi e não diz coisa nenhuma a quem não sabe, de todo, do que se trata o livro. A capa também é feia que chegue e se não tivesse ouvido várias opiniões positivas sobre ele por parte de booktubers em cuja opinião confio nunca me ocorreria lê-lo!

Em suma, esta é a história de mãe e filha cuja relação é bastante conturbada desde… bem, desde sempre! Não posso dizer-vos o que leva esta relação a ser difícil, mas posso dizer-vos que tudo começa com a ida da mãe para o hospital após se ter sentido mal na sua própria casa, onde vivia sozinha, e depois de o seu próprio gato, esfomeado, ter comido parte do pé dela.

Confesso que odiei a mãe no início do livro. Depois, foi a vez de odiar a filha. A páginas tantas já tinha pena de ambas. Se há ponta por onde se lhe pegue no título deste livro, é mesmo no facto de nunca haver só uma versão da mesma história, mas sim duas (ou mais). É uma história dura e crua, sem floreados nem páginas a mais, e aborda mais que um tema tabu. Vale a pena dar-lhe uma oportunidade!

[Opinião] “O Príncipe Feliz” de Oscar Wilde

21972750“O Príncipe Feliz” veio parar ao meu computador não sei como nem por sugestão de quem. Tenho pena de já não me lembrar do “culpado” porque gostaria de lhe agradecer agora.

Este é um conto considerado como infantil, mas não sei até que ponto não será até mais direccionado para os adultos. Nele ficamos a conhecer a história de um Príncipe, outrora feliz (como o próprio título indica) e rico, e que, após a sua morte, foi, de certa forma, imortalizado através de uma estátua bastante valiosa.

Já em estátua, o Príncipe começa a aperceber-se da ganância e do egoísmo que sempre o acompanharam e, graças à ajuda de uma andorinha que acabou por se tornar sua amiga, tenta tornar outras pessoas felizes, embora sem sair do seu lugar.

É uma crítica social bastante forte e a prova de que em poucas páginas se pode marcar a diferença na vida dos leitores. Uma boa história para se começar a contactar com a escrita de Oscar Wilde!

[Opinião] “Desculpa… Por acaso és uma bruxa?” + “A que sabe a Lua?”

Novembro tem sido, sem sombra de dúvidas, o meu pior mês de 2014 em termos de leituras. Comecei mil e um livros, mas nenhum me prendeu. Uma das formas de tentar (embora nem sempre com muitos frutos) contornar isso é através dos livros infantis. Foi aí que entrou a Neuza. Autora do blog e canal Mil Folhas, a Neuza tem um jeito fenomenal para contar histórias às crianças. Por isso, foi com muito agrado que vi dois dos mais recentes vídeos da Neuza em que ela não só lê como interpreta duas pequenas histórias infantis.

01010165_gPrimeiro, temos o “Desculpa, por acaso és uma bruxa?”, que podem ver aqui. Este é um livro sobre um gato preto chamado Leonardo e sobre o facto de os gatos pretos serem sinónimo de má sorte e sobre o facto de serem associados às bruxas. Quem quererá adoptar um gato destes?! É um livro que faz parte do Plano Nacional de Leitura (PNL) e facilmente se percebe porquê.

As vozes da Neuza neste vídeo são qualquer coisa… era bom que mais educadores de infância, como é o caso da Neuza, tivessem este empenho todo na hora de lerem contos às suas crianças. Gostei tanto que já vi o vídeo várias vezes! Uma história super fofa, a sério…

00000117529Em segundo lugar, a Neuza presenteia-nos com o A que sabe a Lua?” (ver aqui), um livro que também faz parte do PNL e que mostra às crianças, entre outras coisas, que a união faz a força e que até os mais pequeninos podem fazer a diferença.

Embora tenha gostado mais da primeira história, não nego que esta também tem uma moral igualmente forte e as ilustrações são igualmente bem conseguidas. A aposta nos animais como personagens principais corre quase sempre bem na hora de se escrever para crianças…

Espero, sinceramente, que a Neuza continue a apostar nestes vídeos e recomendo-os a quem passa mais tempo com os pequeninos! Não só são boas sugestões de leitura, como os mais novos vão certamente render-se à interpretação dela!

[Opinião] “O grande amor da minha vida” de Paullina Simons

jardim AlfazemaHá histórias que nos consomem. Esta é uma delas. É, muito provavelmente, o livro mais forte que já li. Peca por ser demasiado grande para o que quer transmitir (e daí as 4* que lhe dei e não 5), mas, mesmo assim, não deixa de ser óptimo.

“O grande amor da minha vida” (título que, aliás, podia ser de outro romance qualquer) retrata a história de Tatiana e Alexander, ela uma rapariga como tantas outras que vivia em Leninegrado durante a II Guerra Mundial e ele um soldado do Exército Vermelho que acabam por se apaixonar. Acontece que Alexander encontrava-se numa relação com Dasha, irmã de Tatiana… e Tatiana prefere magoar-se do que magoar a irmã.

Mas desenganem-se os que pensem que este livro é simplesmente um romance. É muito mais que isso. É uma história de amor (entre homem-mulher, entre amigos, entre familiares), uma história de guerra, de pobreza, de morte, de sofrimento. As personagens vão amadurecendo e quase todas elas nos vão provocando sentimentos contraditórios.

É curioso ver como a Tatiana vai de menina a mulher, de frágil a sobrevivente. E como o Alexander, por detrás daquele perfil austero de soldado, se derrete pela pequena Tatiana. Mas, para além disso, “O grande amor da minha vida” é um retrato da sociedade russa nos anos 40, do desconhecimento das pessoas em relação à situação em que se encontravam. E uma demonstração de como o mundo é dos mais fortes.

É daqueles livros que marcam. Posso ter demorado algumas semanas a lê-lo, mas essa demora prende-se precisamente com o impacto (eu diria mesmo impacte) que ele provocou em mim. Aconselho vivamente e é certinho que vou ler o segundo volume desta trilogia não tarda!