[Opinião] “Amy & Mattew” de Cammie McGovern

Cammie McGovern - Amy & Mattew

Demorei vários dias a processar o que li neste livro… Tenho lido livros com histórias relativamente pesadas e uma pessoa chega a um ponto em que é totalmente absorvida pelos diferentes personagens com que se depara!

Se não estou em erro, este livro ainda não foi lançado em Portugal. Ficou Amy & Mattew no Brasil e o original tem como título Say what you will. Não resisti a esta capa brasileira… Na verdade, não resisti a muita coisa neste livro…

Um pouco à semelhança do Por lugares incríveis de que já vos falei aqui, também Amy & Mattew tem como personagens principais dois jovens adolescentes (chamados Amy e Mattew, claro, bem ao estilo de Eleanor & Park) que frequentavam a mesma escola e cujos caminhos se cruzam da forma mais estranha possível.

Amy tem paralisia cerebral e Mattew um transtorno obsessivo-compulsivo. Isto assim dito numa frase parece algum tipo de preconceito da minha parte ou, no mínimo, uma visão redutora. Mas não, este é apenas o ponto de partida da história. Uma história tão pesada, tão dura. Estes jovens vão amadurecendo juntos, o sentimento que os une vai crescendo, mas muito fica por dizer, como tantas vezes acontece. Este livro é a prova de que gostar apenas não basta e que muito se perde pelo que não é dito.

É daqueles livros que dariam um excelente debate numa escola e que talvez fossem mais apreciados que os clássicos da literatura portuguesa que nos obrigam a estudar na adolescência e para os quais não estamos mentalmente preparados nem motivados. Mostra-nos como a diferença nem sempre é limitadora em determinados aspectos (Amy comunicava através de um “computador falante”, mas tinha um belíssimo QI, por exemplo) e como tantos de nós, aparente e fisicamente “normais”, podemos esconder os maiores segredos.

É um livro que fala da pressão da família ou da falta dela. Que fala da empatia automática que tantas vezes existe entre duas pessoas. É um YA assim bem a puxar para o adulto e espero sinceramente que Portugal aposte nele!

4 estrelas 🙂

[Opinião] “O clube dos poetas mortos” de N. H. Kleinbaum

(Hoje é, definitivamente, o dia de pôr as opiniões em dia. E tanto escrevi que nem reparei que me faltava aqui uma opinião bastante atrasada e que eu até já tinha escrito e não publicado vá-se lá saber porquê… ei-la)

Geralmente, são os livros que são adaptados ao cinema. Neste caso, segundo pude apurar depois que terminei a leitura deste livro, foi o livro que foi lançado anos depois do filme, tendo como base o seu guião. Depois de saber deste pormenor, e tendo em conta que vi primeiro o filme e só tempos depois soube que existia o livro, não me admirei que só me tivesse apetecido dar três estrelas a esta obra de Kleinbaum (Conhecem? Eu também não. E até pensei que era um homem).

Apesar de ser um livro curto, pouco desenvolvido e no qual a autora podia ter aproveitado para explorar até aspectos não valorizados ou não mostrados no filme, não deixa de ser um livro razoável, embora muito menos marcante que o filme. É capaz, contudo, de nos fazer reflectir sobre o poder da poesia, a importância de aproveitar o momento e sobre os efeitos (muitas vezes nefastos) da pressão da família e da sociedade para enveredarmos por determinado caminho.

O final, a meu ver, é o ponto fraco do livro e podia ser precisamente a sua melhor parte. Ainda assim, não deixa de ser um livro de fácil leitura. Eu diria mesmo que numa tarde ficam a conhecê-lo!

[Opinião] “Por lugares incríveis” de Jennifer Niven

Jennifer Niven - Por lugares incríveis

Terminei a leitura deste livro há alguns dias e ainda me custa a expressar a minha opinião sobre ele. A minha ligação com este Por lugares incríveis foi estranha desde o início. Decidi lê-lo mal olhei para a sua capa, coisa que raramente faço, e fiquei presa desde as primeiras páginas.

Em Por lugares incríveis acompanhamos o desenrolar da relação entre Violet e Finch, dois adolescentes à beira do suicídio por motivos diferentes (ela pela perda da irmã num acidente de carro e ele por problemas psicológicos que se vão tornando óbvios no decorrer do livro) e que se conhecem na escola em que ambos estudam. O título deriva dos lugares que estes visitam juntos a propósito de um trabalho que tinham que realizar para a disciplina de Geografia, que frequentavam juntos.

É um livro para jovens adultos, mas não se pense que encara a temática suicídio de ânimo leve. Muito pelo contrário. É um balde de água fria em todos os aspectos e faz-nos pensar sobre a efemeridade da vida, sobre a importância que alguém passa a ter na nossa vida em determinada altura e o trabalho que dá construir essa relação. O final deste livro atropelou-me e gostava de não me ter sentido tão familiarizada com alguns aspectos deste livro, mas é uma leitura que aconselho sem dúvida alguma e gostava que as escolas aproveitassem este e outros livros do género como mote para debates com os seus jovens.

Aqui, para além do suicídio propriamente dito, vemos adolescentes comuns a sofrerem de problemas relativamente comuns, embora frequentemente imperceptíveis. É uma chamada de atenção para o facto de também a nossa mente precisar de tratamento, tal como um coração, um fígado, um rim, e para o facto de os problemas psicológicos serem encarados com algum preconceito pela população em geral.

Sei que, provavelmente, esta minha opinião não está a ter um fio condutor muito bom, mas posso dizer-vos que concordo, em parte, com o que se tem dito no Brasil sobre este livro (em Portugal, penso que ainda não foi lançado… ainda): este livro tem o seu quê de A culpa é das estrelas. Não é um retratar puro e duro do cancro, mas sim do deteriorar da mente, por assim dizer, de como é estar à beira do precipício e saltar dele ou não.

Gostei bastante do facto de o livro ser narrado ora por Violet, ora por Finch e embora se previsse desde o início que aquela empatia toda só poderia resultar em amor, é um romance bonito e triste ao mesmo tempo.

Espero sinceramente que mais gente lhe dê uma oportunidade!

“Aprendi que existem coisas boas no mundo, se você procurar por elas. Aprendi que nem todo mundo é uma decepção, incluindo eu mesmo, e que um salto a 383 metros de altura pode parecer mais alto que uma torre do sino se você estiver do lado da pessoa certa.”

“Digo pra mim mesma que não é nada além do choque natural do contato físico quando não estamos acostumados com alguém novo. Mas então correntes elétricas começam a subir pelo meu braço e ele está esfregando a palma da minha mão com o dedo, o que faz com que a corrente corra pelo resto do corpo. Oh-oh.”

[Opinião] “(More) Weird Things Customers Say in Bookshops” de Jen Campbell

Jen Campbell

“I don’t like biographies. The main character pretty much always dies in the end. It’s so predictable!”

Estes dois livrinhos, como os próprios nomes indicam, relatam as conversas mais inacreditáveis que já ocorreram em livrarias e outros locais de venda de livros. Acompanhados de belíssimas ilustrações, temos de tudo: desde o leitor que literalmente come livros e que acha que o papel liga melhor com estufados ao cliente que queria a Bíblia autografada por Jesus Cristo. As melhores pérolas nem sequer são as ditas por crianças, ao contrário do que esperava, como foi o caso daquele que disse que acreditava que tinha sido Sherlock Holmes numa vida passada e que ai de quem dissesse que ele não existiu então!!! E fiquem sabendo que o livro “E tudo o vento levou”, afinal, é sobre flatulência!! Curiosos?!

Com um inglês acessível e com bastante sentido de humor, recomendo estes dois livros a todos os amantes da literatura e das livrarias em geral. Contudo, não recomendo a leitura em locais públicos, pois correm um grande risco de rirem à frente de qualquer pessoa, como me aconteceu!!!

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