[Opinião] “Por lugares incríveis” de Jennifer Niven

Jennifer Niven - Por lugares incríveis

Terminei a leitura deste livro há alguns dias e ainda me custa a expressar a minha opinião sobre ele. A minha ligação com este Por lugares incríveis foi estranha desde o início. Decidi lê-lo mal olhei para a sua capa, coisa que raramente faço, e fiquei presa desde as primeiras páginas.

Em Por lugares incríveis acompanhamos o desenrolar da relação entre Violet e Finch, dois adolescentes à beira do suicídio por motivos diferentes (ela pela perda da irmã num acidente de carro e ele por problemas psicológicos que se vão tornando óbvios no decorrer do livro) e que se conhecem na escola em que ambos estudam. O título deriva dos lugares que estes visitam juntos a propósito de um trabalho que tinham que realizar para a disciplina de Geografia, que frequentavam juntos.

É um livro para jovens adultos, mas não se pense que encara a temática suicídio de ânimo leve. Muito pelo contrário. É um balde de água fria em todos os aspectos e faz-nos pensar sobre a efemeridade da vida, sobre a importância que alguém passa a ter na nossa vida em determinada altura e o trabalho que dá construir essa relação. O final deste livro atropelou-me e gostava de não me ter sentido tão familiarizada com alguns aspectos deste livro, mas é uma leitura que aconselho sem dúvida alguma e gostava que as escolas aproveitassem este e outros livros do género como mote para debates com os seus jovens.

Aqui, para além do suicídio propriamente dito, vemos adolescentes comuns a sofrerem de problemas relativamente comuns, embora frequentemente imperceptíveis. É uma chamada de atenção para o facto de também a nossa mente precisar de tratamento, tal como um coração, um fígado, um rim, e para o facto de os problemas psicológicos serem encarados com algum preconceito pela população em geral.

Sei que, provavelmente, esta minha opinião não está a ter um fio condutor muito bom, mas posso dizer-vos que concordo, em parte, com o que se tem dito no Brasil sobre este livro (em Portugal, penso que ainda não foi lançado… ainda): este livro tem o seu quê de A culpa é das estrelas. Não é um retratar puro e duro do cancro, mas sim do deteriorar da mente, por assim dizer, de como é estar à beira do precipício e saltar dele ou não.

Gostei bastante do facto de o livro ser narrado ora por Violet, ora por Finch e embora se previsse desde o início que aquela empatia toda só poderia resultar em amor, é um romance bonito e triste ao mesmo tempo.

Espero sinceramente que mais gente lhe dê uma oportunidade!

“Aprendi que existem coisas boas no mundo, se você procurar por elas. Aprendi que nem todo mundo é uma decepção, incluindo eu mesmo, e que um salto a 383 metros de altura pode parecer mais alto que uma torre do sino se você estiver do lado da pessoa certa.”

“Digo pra mim mesma que não é nada além do choque natural do contato físico quando não estamos acostumados com alguém novo. Mas então correntes elétricas começam a subir pelo meu braço e ele está esfregando a palma da minha mão com o dedo, o que faz com que a corrente corra pelo resto do corpo. Oh-oh.”

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