[Opinião] Trilogia “As cinquenta sombras de Grey” de E. L. James

Trilogia 50 Sombras

Durante parte do mês de Agosto e início de Setembro deste ano, decidi aventurar-me a ler a trilogia “As cinquenta sombras de Grey”… Sempre que digo este nome já sei o que me espera. Quem está aí, desse lado, ou pensa “Está doida, não tinha nada pior para ler?” ou então “Até que enfim, estavas a perder uma das maravilhas da literatura erótica”. As opiniões dividem-se. A minha, contudo, é muito clara. O-DI-EI! Simples.

Assim em jeito de resumo, para quem eventualmente desconheça esta série (o que acho difícil), esta trilogia começa com Anastacia, uma jovem que se encontra a acabar o ensino superior, que vai entrevistar Christian Grey, um grande ricaço lá do sítio, no lugar da sua amiga Kate, ela sim responsável pelo jornal da universidade onde elas estudavam, mas Kate essa que estava doente. Anastacia – ou Ana, como era conhecida -, além de virgem, totalmente inexperiente em relação aos homens, espalha-se ao comprido mal entra no escritório de Grey mas, claro, que grande novidade, ele sente-se logo atraído por ela e ela por ele. A partir daí Christian faz tudo para a encontrar mais vezes e vão andando até que ela se derrete toda por ele. Acontece que o Christian, com quem a Ana perde a virgindade, não só é sadomasoquista como quer que a Ana assine um contrato (sem valor legal, claro, mas só para formalizar a coisa) onde ela se compromete a ser sua submissa, a praticar exercício físico x vezes por semana, a comer isto e aquilo, etc. Estabelecem, também, os chamados “limites rígidos” nessa espécie de contrato, ou seja, estabelecem que práticas sexuais não são aceitáveis para a Ana.

Se só por aqui já não estão enjoados com esta história, vamos a ver se vos convenço. Além desta “história” ter detalhes nojentos (como a Ana usar a escova dos dentes do Christian logo após a primeira relação sexual), digo-vos, em defesa da minha opinião, que esta trilogia – que, aliás, é fanfiction de Crespúsculo – tem das histórias mais básicas que eu conheço. Isto já para não falar da linguagem, que é muito simplória também.

Além disso, todos os livros – e são três livros consideravelmente grandes – estão cheios de estereótipos e passam um conjunto de ideias erradas. Por exemplo: estes livros dão a sensação que os sadomasoquistas tiveram todos uma infância conturbada. E que todas as submissas sexualmente o são também no dia-a-dia, na roupa que vestem e o marido não gosta, nos amigos que têm com quem o namorado não simpatiza. A Ana é assim.

Também me irritou o facto de o último livro ser mais do mesmo (aquilo é só sexo, sexo, sexo ao longo de toda a trilogia) e de ter uma série de acontecimentos no final que fazem da Ana uma heroína, logo ela que diz amén a tudo. Muito mau. Há também quem diga, ao contrário do que eu defendo, que isto é literatura erótica, mas eu, que não li praticamente nada desse género literário, acho que isto pode ser considerado pornográfico e pode chocar alguns leitores mais “esquisitos”.

Outro ponto negativo (um dos muitos, vá) prende-se com os títulos. Quem leu estes livros sabe ao que “cinquenta sombras” se refere, mas “As cinquenta sombras livre”?? Mas que título é este? Já para não falar de algumas expressões das personagens como “a minha deusa interior” (sim, é mau como estão a pensar) ou “Ana, pára de morder o lábio inferior”. What?

Nada como lerem para saberem, mas eu, como podem ver no meu vídeo de opinião aqui em baixo, termino dizendo que esta é a única trilogia, são os únicos livros que eu insisto para que não leiam. Nunca li nada tão mau. E esta, bem, é a minha opinião sincera!

Ah! Dei 1* a cada um dos livros. Só não dei menos porque o Goodreads não deixa! O filme também tem estreia marcada para 14 de Fevereiro de 2015 (vejam o trailer aqui), mas se o filme for realmente baseado no livro não vos aconselho a irem vê-lo ao cinema…

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