[Opinião] “Manual de felicidade para neuróticos” de Nuno Amado

25267987Foi um pouco por coincidência que peguei em simultâneo em três livros escritos por três Nunos diferentes: Nuno Nepomuceno (O espião português, já lido), Nuno Camarneiro (Debaixo de algum céu, a ler) e Nuno Amado com este Manual de felicidade para neuróticos. Por coincidência também, até estava com um Nuno quando comprei este último! E é curioso ver como autores com o mesmo nome podem ter estilos tão diferentes entre si.

Manual de felicidade para neuróticos tem, talvez, um nome mais pomposo do que o livro o é na realidade. Escrito por um psicólogo, o livro é mais ligeiro e menos académico do que a formação do seu autor poderia sugerir e até do que sugeria as suas personagens principais: um escritor e um psiquiatra.

Como o próprio título indica, este livro fala da elaboração de um manual de felicidade que ficou a cargo, como disse, de um escritor (Gaspar) e de um psiquiatra (Amadeu), sendo financiado pela União Europeia. Escrito pela mão de Gaspar e com o contributo das histórias e das pessoas que Amadeu conhece, este manual não é mais que uma colecção de pequenas histórias com alguma moral pelo meio, misturadas com as conversas entre os seus dois criadores e outras personagens secundárias. É uma narrativa simples, por vezes divertida, mas não muito marcante ou que dê vontade de ler mais do autor a curto prazo.

Menção honrosa para esta capa, de tons leves e esteticamente muito agradável.

“Todos os problemas dos Homens são resultado das imperfeições do amor. Todos os Homens foram amados algum dia. Todo o amor é imperfeito. É nesse pequeno espaço de imperfeição, cuja proporção é a de um buraco de agulha para a Muralha da China, que nasce o desespero. Uma secura no fundo da garganta. Um pássaro morto no lado do eléctrico. Um café que nos é servido frio. Um café frio de manhã é o sinal de que não existe completude para o amor. Que por maiores que sejam os braços que nos contêm nunca serão suficientemente grandes. Mas é a imperfeição do amor que o faz tão magnífico. O erro é o espaço do humano. O arrependimento o seu mestre.” (p.158)

[Opinião] “Confundir a cidade com o mar” de Richard Zimler

12368797Desde que estive presente num evento da Feira do Livro do Porto 2015 com o Richard Zimler que simpatizei logo com ele e é certo e sabido que ter empatia com um autor é meio caminho andado para se querer lê-lo. Poucos dias depois disso já estava eu a comprar O último cabalista de Lisboa (que ainda não li) e este livro de contos, Confundir a cidade com o mar, que tem esta capa lindíssima. Decidi começar por este último por ser uma colectânea de pequenas histórias, mas não sei se fiz bem!

A verdade é que alguns destes contos (como Aprender a amar ou Ladrões de memórias) até foram uma leitura relativamente agradável, sem nada que me marcasse particularmente, mas talvez tenham sido mais os contos que foram algo penosos de ler e até de compreender, pois nem sempre entendi a sua pertinência (foi o caso de A um pássaro ou No mato grosso). Embora aqui o autor atravesse vários países, culturas e religiões, a verdade é que tirando o conto Ernst (mais ligado às artes, uma área que me interessa bastante), mais nenhum outro me tocou ou achei particularmente cativante.

A escrita do autor é boa, disso não há dúvidas. Mas fiquei com a sensação que ou o Richard Zimler não sabe tornar claro para o leitor as suas sensibilidades, ou eu, leitora, é que não as soube captar. Talvez seja ambas as situações. Acho que preciso de um livro com uma história única e mais desenvolvida para lhe fazer uma correcta avaliação!