[Opinião] “O amante” de Marguerite Duras

6321780.jpgEste é um livro complexo, o que eu não antevia ao reparar na sua dimensão. São 179 páginas de uma narrativa simples apresentada de forma rebuscada. E eu não gostei!

Em O amante, um romance autobiográfico, Marguerite Duras (autora cuja obra desconhecia até agora) apresenta-nos a história de uma rapariga francesa de 15 anos que se envolve sexualmente com um homem chinês mais velho que ela e filho de um magnata local. É também um romance sensual, o que, embora a capa desta minha edição dê a entender o contrário, nada tem que ver com As cinquenta sombras de Grey! Esta relação pouco ortodoxa entre ambos é explicada de forma algo camuflada, o que torna a narrativa confusa e pouco apelativa.

As relações familiares da personagem principal também são abordadas e, apesar de reconhecer a coragem da autora ao expor-se a este nível (a relação dela com a mãe e o irmão mais velho era bastante má, por exemplo), não posso deixar de achar que talvez tivesse sido melhor ideia não querer inventar tanto! Por vezes, menos é mais!

Claro que podem dizer-me que este é um livro apenas para leitores mais experientes e concentrados, mas a verdade é que nem sempre entendo esta necessidade que os autores têm de mostrar que conseguem escrever nas entrelinhas. Não havia necessidade.

Enfim, há quem diga que esta é uma das melhores obras da autora. Não sei se será ou não, mas sei que tudo isto contribuiu para que não me apeteça ler mais nada dela tão cedo…

[Opinião] “Os aromas do amor” de Dorothy Koomson

22079546Em tempos, já fui muito, mas mesmo muito fã dos livros de Dorothy Koomson. Todos os livros dela, sobretudo os relacionados com crianças (Pedaços de ternura, A filha da minha melhor amiga ou Bons sonhos, meu amor) são bastante enternecedores. Mas depois a autora resolveu escrever algo mais relacionado com crimes, com mistério, e perdeu esse encanto. Se se lembram da minha opinião sobre A praia das pétalas de rosa aqui no blog no início deste ano talvez se recordem que fiquei um pouco desiludida com esse livro, apesar de muitos leitores que eu acompanho o terem adorado. Por isso, foi com algum receio que parti para Os aromas do amor, também ele com uma morte por resolver (o que não é spoiler, está na sinopse). Mas os livros de um autor são como uma série televisiva: depois de começar a acompanhá-los queremos sempre continuar a segui-los, mesmo que com as expectativas lá em baixo!

Para começar, não posso negar que a capa deste livro, como é hábito nos livros desta autora lançados em Portugal, é bastante bonita. E mesmo a contracapa é visualmente muito agradável com umas ervas aromáticas e afins. O título também parece algo romântico. A sinopse remete bastante para os alimentos e a arte de cozinhar… e nesse aspecto senti-me um pouco enganada.

Este livro refere, é certo, a comida, a arte de combinar ingredientes e aquilo que eles podem fazer por nós. Mas essa é uma parte bastante reduzida da história e, por isso, quando a sinopse diz “Saffron decide terminar Os aromas do amor, o livro de receitas que Joel tinha começado a escrever antes da sua trágica morte”, não posso achar lá muito bem que isto conste da sinopse, pelo menos não com o destaque que tem, porque o livro não se centra nisso.

Mas falando das personagens… temos uma Saffron cujo marido (Joel) faleceu há 18 meses e cujo assassino se desconhece, os dois filhos de ambos (Phoebe, de 14 anos, e Zane, mais novo), a tia Betty, o amigo Fynn e mais algumas personagens pouco relevantes como os pais de Joel ou o professor de Phoebe (a vida dela sofreu, aliás, um forte golpe durante este livro). Saffron é a personagem principal e a mais irritante, talvez porque achei as suas acções pouco plausíveis. Não que não fossem plausíveis pontual e individualmente, mas todas na mesma pessoa parecem algo improváveis!

A personagem de que mais gostei foi a tia Betty, embora seja pouco desenvolvida e até quase irrelevante na história. Phoebe é, notoriamente, o reflexo da educação que tem e Zane é um miúdo que só aparece aqui para reforçar o carácter da mãe. A amizade de Joel com Fynn é pouco explorada, fazia falta algumas analepses para podermos entender esta relação, e ainda menos se percebe a amizade de Fynn com Saffron, sobretudo depois da morte do marido desta.

Enfim, um livro da autora que não recomendo e acho sinceramente que quem começar por este não vai querer ler mais nada dela. Para terem uma ideia, tinha começado a lê-lo em Julho e só agora, três meses depois, ganhei coragem para terminá-lo. Penso que isto diz tudo!

[Opinião] “Sozinhos na ilha” de Tracey Garvis Graves

Tracey Garvis Graves - Sozinhos na ilha

Gostaria de começar esta opinião por vos dizer que as minhas expectativas sobre este livro eram um pouco antagónicas. Por um lado, tinha bem presente a opinião da Joca, que adora este livro, que o tem como um dos seus preferidos. Por outro lado, tinha a Cata, que não morre de amores por ele e que acha que ele deixou um pouco a desejar. Sigo a opinião delas há muito tempo e concordo com elas muitas vezes, então fiquei um pouco dividida!!!

Assim que o comecei a ler, atraída pela capa e por uma súbita vontade de estar na praia, percebi logo que ia ser um livro de leitura fácil. Mas fácil e de qualidade nem sempre são a mesma coisa. Sim, acabei por concordar com a Cata!

Achei a premissa do livro boa. Um rapaz e uma mulher praticamente desconhecidos, a atravessarem problemas diferentes e com alguma diferença de idade a separá-los e que acabam por ficarem sozinhos numa ilha deserta até poderia ser uma boa ideia. Mas seria uma boa ideia se a autora tivesse pegado mais pela questão da sobrevivência, assim dificuldades reais, de nos darem medo. Acontece que estes dois já começaram por fazer esta viagem debaixo de circunstâncias pouco prováveis (os pais dele resolveram levá-la com eles de férias para as Maldivas a fim de ela estudar com ele durante as férias e ele recuperar o tempo perdido, visto que perdeu muita matéria enquanto se recuperou de um cancro). Depois disso, mais improbabilidades fizeram parte desta história, desde aparecer toda e qualquer coisa na hora em que eles se viam aflitos ou de tudo contribuir para a sua sobrevivência (sobrevivência essa que durou bem mais tempo do que estaria à espera e do que considero razoável).

E depois temos o romance. E isto até poderia ser um spoiler se a própria sinopse do livro (uma das sinopses mais spoilerianas que já li) já não o deixasse claro. Quer dizer, isto seria previsível de qualquer das formas, embora o romance não seja uma coisa imediata nem muito sexual até determinada altura. E é aqui que surge outra das minhas implicâncias com este livro: a páginas tantas, fartei-me de ler diálogos como “Amo-te”, “Eu também de amo”. Se os casais o dizem a toda a hora? Sim. Se gosto de ler isso nos livros constantemente? Não. Era dispensável. E ainda há a diferença de idade entre o casal, o que é óbvio que ainda gera algum tabu nos dias de hoje, mas que a autora podia ter aproveitado para transmitir uma mensagem mais positiva a esse respeito. Os 13 anos que os separam nem sequer são das diferenças maiores que já vi!

E, para piorar a situação, o final era tão, mas tão previsível, que me fez lembrar as novelas, onde os finais se repetem bastante.

Depois disto, e mesmo tendo eu lido o livro muitíssimo depressa (como disse, a escrita é bastante acessível e diria mesmo que até algo pobre, embora me agrade o facto de ter capítulos pequenos e alternados entre as duas personagens), comecei a implicar com o livro no seu todo! Era o título que me parece demasiado simples, meio filme de sábado à tarde (e sairá em filme em “breve”, por acaso!), mais a capa que me parecia bonita anteriormente e agora me irrita… Nela, temos dois jovens numa ilha paradisíaca, aparentemente felizes e em plena lua de mel. Não é nada disso. Devia notar-se a diferença de idade entre eles, a desnutrição, o cansaço, em contraste com as cores da ilha. A capa só leva mesmo pontos pela barbatana de um tubarão que se vê ao longe. Aliás, a sinopse dá a entender que eles combateram um exército de tubarões e, bem, não é bem isso.

Se eu acho que devem dar uma oportunidade a este livro? Acho. Mesmo não tendo gostado, reconheço que agrada a muita gente (incluindo a muitas pessoas que sigo no Goodreads) e algo de positivo essas pessoas devem retirar desta leitura. Mas não contem com uma grande obra literária aqui, embora ache que vos possa ajudar a sair de uma ressaca literária, por exemplo!). É uma leitura descontraída, mas duvido que me vá marcar muito.

Para completar, descobri, ainda, que existe uma novela complementar a este livro, mas não sei se me apetece lê-la! Enfim, tudo isto para dizer que é possível não se gostar de um livro que agrada à maioria das pessoas, mas para tal opinião ser possível é preciso lê-lo. Só quem experimenta pode falar sobre isso. Lembrem-se disto!

[Opinião] “Quem mexeu no meu queijo” de Dr. Spencer Johnson

Dr. Spencer Johnson - Quem mexeu no meu queijo

Não sou apreciadora de livros de auto ajuda, embora admita que há quem goste e, claro, nada contra. Acho sempre que se repetem um pouco e que são escritos por pessoas com o dom da palavra, que gostam de fazer dinheiro à conta disso. É o chamado dizer na hora certa o que os outros querem ouvir (ou ler, no caso). Mas isto não significa que não os leia uma vez por outra.

Há dias, mostraram-me um vídeo (que podem espreitar aqui) que retrata este livro e fiquei curiosa para ver o que teria o livro que o pequeno vídeo não mostrasse. Pois bem, nada. Era uma cópia relativamente fiel e a horita que perdi a lê-lo não acrescentou nada que eu já não tivesse visto.

Em Quem mexeu no meu queijo? (o título parece estranho, eu sei), temos a história de dois ratos e dois homenzinhos, cada um com personalidades diferentes. Estes quatro personagens vivem no mesmo labirinto e sobrevivem graças ao queijo que comem. Um dia, o local de onde costumavam retirar esse queijo deixa de ter queijo e os quatro são obrigados a procurarem o sustento ou deixarem-se morrer à fome. Em suma, é uma tentativa de nos ensinar algo sobre a mudança, sobre as formas como a podemos encarar.

Não é mau, mas não deixa de ser algo cliché!

[Opinião] “A Bela e a Fera” de Clarice Lispector

Clarice Lispector - A bela e a feraSempre ouvi falar muito bem deste livro da Clarice Lispector, uma escritora brasileira. Algumas pessoas apelidavam mesmo este livro como “um dos meus queridinhos” ou “um dos livros da minha vida”. Impossível não ficar curiosa depois de ouvir isto. E foi assim que lá fui eu cheia de expectativas ler isto. Só que, por vezes, eu estava bem era quieta!!!

Não gostei muito deste livro, confesso. Até começa bem no seu primeiro conto e acaba mais ou menos, mas pelo meio apanhei uma grande seca e tive que ler algumas partes mais que uma vez. Tem algumas partes bonitas, admito, mas se me perguntarem hoje, dias depois de o ter terminado, o que retirei deste livro, provavelmente vou dizer-vos “nada”.  Se não fosse tão pequeno até nem o teria terminado.

Em suma, há livros que simplesmente não são para agradarem a todos!

“Ele era um homem difícil, distante, e o pior é que falava francamente dos seus pontos fracos: por onde atacá-lo então, se ele se conhecia?”

Giveaway + Opinião – Trilogia “Os jogos da fome” de Suzanne Collins

Durante o mês de Setembro, eu e mais sete booktubers portugueses (Andreia, Cata, Filipe, Jojo, Mariana, Neuza e Tânia) decidimos ler/reler a trilogia “The Hunger Games” (ou “Os jogos da fome” como ficou em Portugal, “Jogos Vorazes” no Brasil) e fazer uma série de vídeos durante o mês sobre esses livros. Desde já vos digo que adorei a experiência com estes sete camaradas booktubers, foi muito bom não só para partilharmos diferentes opiniões sobre os mesmos livros (os livros têm essa maravilhosa função de nos porem a argumentar de forma saudável e construtiva), como também para criar/estreitar laços e nem queiram imaginar onde as nossas conversas foram parar! Uma experiência a repetir certamente!

Passando aos livros, eu tinha e ao mesmo tempo não tinha grandes expectativas em relação a esta trilogia. Todas as pessoas que eu conheço que tinham lido a trilogia antes de mim me diziam que o final deixou muito a desejar e fiquei sempre com aquela ideia que nem do início ia gostar, embora fosse uma trilogia muito apreciada no seu global. Mas, curiosamente, gostei do primeiro livro.

Em “Os jogos da fome” é-nos apresentado o país Panem, país esse que era constituído por 12 distritos, uns mais ricos que outros, e pelo Capitólio, que era quem detinha o poder. Como forma de o Capitólio mostrar ao povo quem detinha o poder, isto depois do desaparecimento do distrito 13, todos os anos eram organizados os “Jogos da Fome” onde participavam 24 jovens, ou seja, um rapaz e uma rapariga de cada distrito com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, voluntários ou escolhidos aleatoriamente, jovens esses que eram mandados para uma arena, sujeitos aos mais diversos perigos, e de onde só um poderia sair vivo. Estes jovens são os chamados tributos.

Na edição dos Jogos representada neste livro, temos Katniss e Peeta como tributos do distrito 12 e são eles que vão para a arena, tendo Haymitch como mentor (o único sobrevivente do Jogos da Fome do distrito 12 que ainda estava vivo). Podem ver mais detalhes no vídeo que eu deixo já de seguida (sem spoilers) mas, em suma, digo-vos que gostei bastante deste livro, apesar de ter um triângulo amoroso que logo me enfureceu. A mensagem presente não só neste livro como em toda a trilogia é uma mensagem que deve ser alargada a outros campos, nomeadamente à nossa sociedade, para que as pessoas talvez percebam que o povo tem mais poder do que pensa e que, por vezes, um simples gesto faz de alguém um símbolo de rebelião.

Sem querer dar grandes pistas sobre o que vai acontecer no livro seguinte, “Em chamas”, digo-vos apenas que neste livro temos a edição 75 dos Jogos e que a cada 25 anos o Capitólio decide fazer uma edição especial dos Jogos da Fome. O que nos espera neste livro é absolutamente surpreendente e gostei tanto deste livro que quis pegar logo no terceiro!

O terceiro, porém, foi a desilusão total, algo para que me tinham alertado, e a leitura foi-se arrastando ao longo dos dias. Em “A revolta” começamos com uma descrição algo arrastada de tácticas de guerra, de escolhas, de manipulação, de revolta interior de algumas personagens e só mais para o fim é que realmente se dá alguma coisa de importante. Porém, esse final é tão apressado e a forma como se dá o desfecho da história é tão sangrenta e desnecessária que a minha opinião geral sobre a série baixou um pouco. Vou deixar-vos os meus vídeos de opinião em baixo, mas alerto-vos para o facto de serem cheios de spoilers para quem ainda não leu os livros e pretende ler. 

Optei, contudo, por fazer um vídeo sempre que acabava um dos livros, assim fui “desabafando” em cada vídeo o que esperava do livro seguinte e foi curioso ver que nem sempre o que eu esperava acontecia!

Quanto aos dois filmes já existentes, regra geral eles até representam bem a história, mas foram mudados alguns pormenores (alguns não tão pormenores assim, diga-se) que faziam falta ou que não entendo por que foram mudados se o filme é feito com base no livro e se algumas cenas resultariam bem em televisão. Dou-vos o exemplo de uma cena que é relatada no “Em chamas” sobre a participação do Haymitch nos 50º Jogos da Fome e que não aparece no segundo filme. Essa parte, em imagens, levaria os fãs ao delírio, quase… digo eu! Foi curioso também ver que alguns actores escolhidos para desempenhar os diferentes papeis não eram lá muito parecidos com a descrição feita nos livros, algo que foi muito bem explicado pela Tânia neste vídeo.

Como personagens favoritas não tenho nenhuma das personagens principais, o que é estranho, mas antes a Rue, o Cinna (ai o Cinna, fiquei fã!) e até a Johanna. Terão de ler para os conhecer!

Portanto, embora tenho gostado bastante dos dois primeiros livros (4*, assim quase a inclinar-me para as 4,5* no “Em chamas”), o terceiro foi uma completa desilusão e um tiro no próprio pé por parte da autora.

Eis os vídeos com spoilers:

Para os fãs da série e/ou para os coleccionadores de marcadores, temos também um passatempo a decorrer até 7 de outubro de 2014 onde só os residentes em Portugal podem participar. Para mais informações vejam o vídeo e preencham o formulário do giveaway!