[Livro] “Vasto mar de sargaços” de Jean Rhys

Atenção: contém spoilers para quem ainda não leu Jane Eyre!

vasto mar sargaçosAqui há uns dias, apercebi-me que de 34 livros que tenho da Biblioteca Sábado apenas li 3. Um resultado vergonhoso, eu sei! Então lá me decidi a pegar em alguns destes livros e o Vasto mar de sargaços chamou a minha atenção por ser uma história que se desenvolve em paralelo com Jane Eyre, de Charlotte Brontë, que li no início deste ano.

Este livro está dividido em 3 partes, sendo a primeira e a última narradas por Antoinette, “a louca do sótão” com quem Edward Fairfax Rochester era casado, e a segunda narrada (maioritariamente) pelo próprio Rochester. Começam por ser relatadas a infância e a adolescência de Antoinette, depois temos a visão de Rochester sobre o casamento e a sua falta de amor, ternura e afins pela esposa e, por fim, temos a visão de Antoinette sobre a sua passagem pelo sótão (uma parte tão pequena e a melhor do livro!).

Para ser sincera, este livro destruiu completamente a imagem que eu tinha de Mr. Rochester e fiquei com a impressão que ele era quase tão louco como a mulher (que, aliás, em Jane Eyre é chamada de Bertha, mas isso era como o marido lhe chamava, o seu nome verdadeiro era mesmo Antoinette). Se em Rapariga com brinco de pérola o criar de uma história por detrás de um quadro de um pintor holandês foi uma aposta ganha, neste caso foi quase um tiro no próprio pé tentar desenvolver a história de uma personagem secundária de Jane Eyre.

Um livro confuso, nada empolgante, e que destrói completamente a essência do maravilhoso clássico de Charlotte Brontë.

Classificação:

2estrelas

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[Livro] “Uma questão de fé” de Jodi Picoult

Uma Questão de FéEste foi o terceiro livro que li desta autora, depois de Em troca de um coração e de O pacto (o primeiro é bem melhor que o segundo) e confesso que o menos empolgante dos três. Só o consegui ler mesmo porque Jodi Picoult tem uma escrita muito fluída, fazendo-me lembrar Dorothy Koomson, embora a considere de qualidade inferior… Porém, tenho que admitir que o tema deste livro é, no mínimo controverso. E não me admira nada que a própria autora tenha deixado bem claro no início do livro que o mesmo lhe trouxe problemas…

Neste livro, temos a história de Faith, uma menina de sete anos filha de Colin e Mariah White, que um dia, após regressar a casa com a mãe por se ter esquecido do fato do ballett, encontra o pai em casa com uma mulher que Faith não conhecia a sair do banho enrolada numa toalha. O casamento entre Colin e Mariah desfaz-se, como era de prever, até porque Colin já tinha traído Mariah sete anos anos antes, traição essa que levou Mariah a tentar suicidar-se e a ser posteriormente internada numa clínica psiquiátrica contra sua vontade. Desta vez, Faith não só assistiu a tudo, como começou a ter uma amiga imaginária que, imaginem só, era Deus numa versão feminina. A história depressa se propagou, Faith (é curioso que tenha este nome!) começa a ser alvo de atenções por parte dos media, começa a fazer supostos milagres (como ressuscitar a avó) e a ter dezenas de fanáticos religiosos à porta de casa. Também começa a desenvolver ferimentos e doenças inexplicáveis e o pai decide que quer a guarda dela. Parte da história desenvolve-se no tribunal, onde a vida destes três é escrutinada ao máximo. Parece uma novela, eu sei!

A história podia ser boa. Costumo gostar de livros que levantam questões sobre a religião, coisa que este faz, e de livros que nos fazem pensar “e se fosse comigo?”, o que este também fez, pois não sei como reagiria se houvesse um histerismo generalizado à volta da minha filha por parte da comunicação social e dos representantes de várias religiões. Mas Jodi Picoult não se saiu bem nesta tarefa e o que temos é um livro enfadonho, que eu demorei oito dias a ler (sim, oito, tal foi a seca que apanhei) e começo a sentir-me culpada por não ter desistido dele e ter gasto o meu tempo a ler algo mais interessante!

Classificação:

2estrelas

[Livro] “Vidas secas” de Graciliano Ramos

vidas secas

Este livro foi-me aconselhado por uma amiga que o estudou na faculdade e que ficou fã. É, pelo que li depois, considerado um dos melhores livros de autores brasileiros. Tendo em conta que um dos meus livros preferidos é O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá do Jorge Amado, isto até poderia ter sido um bom pronúncio. Pois, podia. Mas não foi.

Não gostei lá muito deste livro. Se não fosse tão pequeno, não o teria lido atá ao fim. Acho que há tantos livros bons que não devemos perder tempo a fazer fretes… Mas como fiquei imenso tempo à espera de ser atendida no médico e como este era o único livro que trazia comigo, não admira que o tenha despachado nos entretantos… Talvez a culpa seja minha, também por não estar muito por dentro da história do Brasil. Nesse sentido, certamente que alguns pormenores desta história da família do Feliciano me devem ter passado ao lado. Mas o que não me cativou mesmo foi a escrita… talvez numa próxima oportunidade, se é que a darei!

É curioso como um livro pode agradar tanto a uns e tão pouco a outros!

Classificação:
2/5