Opinião conjunta – “Os crimes da Rua Morgue” de Edgar Allan Poe

Recentemente, e no seguimento do mês do horror que se viveu um pouco por todos os blogs e canais literários no mês de Outubro, juntei-me a mais quartro booktubers portugueses numa opinião conjunta sobre um conto de E. A. Poe chamado Os crimes da rua Morgue. Ora espreitem o resultado! Eu sou suspeita, mas acho que a sinceridade dominou este vídeo!

Canais participantes neste vídeo:
– Blogue Flames (Roberta): https://www.youtube.com/channel/UCug1Ido26wgWSEzbwxDCMcw
– creepysantos (Vasco): https://www.youtube.com/channel/UCWS_zRuOn3DzaIc4kl5PoPA
– No meu cérebro (Liliana): https://www.youtube.com/channel/UCJknvWnTOVmDex9RX7YNS0A
– The fond reader (Silvéria): https://www.youtube.com/channel/UCiR_G4kPUlLSkDuaCknhXdg
– The YA reader (Filipe): https://www.youtube.com/channel/UCAgW_6p7L0-HIjiCU1Nfmcg

[Opinião] “Jesus Cristo bebia cerveja” de Afonso Cruz

22368918Depois de ler o Para onde vão os guarda-chuvas era impossível não querer ler mais nada de Afonso Cruz. Claro que podia ter esperado mais tempo entre uma leitura e outra (nem uma semana passou!), mas não resisti!!!

Tinham-me avisado que este Jesus Cristo bebia cerveja não era tão genial como o primeiro livro que eu tinha lido do autor. Não me mentiram. Embora o forte aqui também tenha sido as personagens, esta é uma história mais rebuscada, algo confusa, embora irónica em alguns aspectos. A escrita do autor continua a ser linda, continuamos a ter algumas frases simples e certeiras, mas a magia de Para onde vão os guarda-chuvas não a encontrei aqui.

Embora esteja um pouco farta de histórias que se passam no Alentejo e que, de certa forma, o ridicularizam, este livro foca-se noutros pormenores que nem sempre encontramos, nomeadamente em pessoas pouco típicas nesta zona do país. Ainda assim, a referência à religião é uma constante, algo que já tinha acontecido em Para onde vão os guarda-chuvas (na verdade é ao contrário, porque este livro é de 2012 e o dos guarda-chuvas de 2014), basta atentar neste título e nesta capa que causam urticária a qualquer católico convicto!

No que diz respeito às personagens, achei bonito o facto de Rosa querer levar a avó a Jerusalém, mas Rosa teve uma série de outras acções que reprovei, não só em relação aos homens da sua vida, como no que diz respeito ao final que a sua relação com a avó aparentemente tão adorada teve. Ainda assim, finais que desagradam o leitor são o ponto forte de Afonso Cruz, por isso começo a habituar-me!

No entanto, reconheço o mérito deste autor no que envolve a construção das personagens. Não é, à primeira vista, fácil juntar um pastor, um professor, um padre, uma inglesa rica… mas Afonso Cruz consegue tudo, este homem pode tudo!!

Talvez não seja justo classificar este livro com três estrelas, mas basta ler algo mais profundo do autor para perceber que este livro é de qualidade inferior. É a minha opinião, e sei que muita gente gostou mais dele do que eu, mas provavelmente porque ainda não experimentaram outras obras dele. Mas é uma história que não me marcou e, embora a tenha lido em menos de 24h, sinto-me até no “direito” de exigir mais deste escritor 😉

[Opinião] “Alma trocada” de Rosa Lobato de Faria

18214136Este é o terceiro livro desta autora que leio em 2015, isto porque desde que li A trança de Inês que não consigo resistir a qualquer livro de Rosa Lobato de Faria que me passe pela frente. Este era, provavelmente, dos três livros dela que tenho cá em casa aquele que despertava mais a minha curiosidade, talvez por ser “vendido” como um romance homossexual (no masculino), o que não é muito comum.

Acontece que a homossexualidade, apesar de algo evidente neste livro, não me pareceu, na minha modesta opinião, o ponto que merecia ser mais destacado na sinopse deste livro, até porque, por vezes, me esqueci mesmo que o Téo, personagem principal, era gay (só me centrei nisso mesmo no início do livro, quando Téo ainda está de casamento marcado com uma rapariga com a qual não tem a mínima ligação). Trata-se de uma história de descoberta do eu, independentemente da sexualidade, uma história sobre relações familiares e de amizade, ciúme, inveja, angústia e desejo. Quantas e quantas vezes nos perguntamos “quem sou eu?” e não pensamos que a nossa alma só pode ter sido trocada?

Ainda assim, a minha personagem favorita nem foi o Téo na sua descoberta sobre o amor, mas sim a sua avó Jacinta, que o conhece tão bem sem serem precisas palavras. E a própria descrição da quinta da avó Jacinta aviva qualquer memória olfativa. Isto para não falar de outras personagens alentejanas que são assim uma delícia, bem ao estilo que Rosa Lobato de Faria habituou os seus leitores.

Além disso, este livro transmite uma ideia que eu defendo desde sempre: a família nem sempre é aquela com quem temos laços de sangue, mas sim aquela com quem escolhemos ter laços afectivos, bem mais fortes e duradouros.

Apesar de não ser brilhante, este é um livro leve, quase uma lufada de ar fresco. Palmas para a autora, que escrevia tão bem que lê-la nunca é uma maçada!

[Opinião] “Os linhos da avó” de Rosa Lobato de Faria

15535867Desde a minha leitura de A trança de Inês (livro que tenho numa edição da Leya com uma belíssima capa) que sou apaixonada pela escrita da Rosa Lobato de Faria. Digamos que foi um amor à primeira vista! A juntar a esse facto, a Leya faz sempre belíssimas capas nos livros que publica da autora (vejam Alma trocadaOs três casamentos de Camila S.) e é impossível resistir-lhes.

Comprei recentemente o Alma trocada e Os linhos da avó e é sobre este último que vos quero falar hoje. Os linhos da avó é um livro de contos e até esta capa dá mesmo a sensação de estarmos perante um local onde avó e neta (digo neta e não neto precisamente por causa de um dos contos deste livro que lhe dá nome) podem partilhar experiências e beber chá. São 22 contos, com diferentes níveis de interesse e até mesmo de qualidade, mas que no seu conjunto formam um livro bem agradável de ser lido.

Confesso que alguns contos foram para mim altamente enternecedores e outros nem por isso. Gostei particularmente da ironia dos primeiros, do próprio conto Os linhos da avó e até do Um banco de jardim, uma espécie de reflexão sobre a morte. Em Mulher temos um constatar do poder de atracção que uma mulher pode ter sobre um homem e em O sétimo sentido a autora defende a intuição e as artes como sexto e sétimo sentidos.

Um ou outro contos foram algo maçadores, como Ao sabor do corpo, mas fazendo um balanço trata-se de um livro que merece as 3 estrelas sem grande esforço. Ainda assim, continuo a preferir o A trança de Inês que, além de poético na escrita, é poética quanto à própria história, algo que não aconteceu com todos estes contos. Seguir-se-à Alma trocada, um livro sobre a homossexualidade masculina, e veremos se esta minha paixão pela autora veio para ficar!

[Opinião] “A paixão do jovem Werther” de Goethe

16008480A minha experiência com este livro não é nada de extraordinário. Já tinha ouvido falar dele algures, o seu título era-me familiar, e quando o vi na Feira do Livro do Porto por 2€ novo (num stand com imensa coisa a 2€ chamado Verso da História) trouxe-o sem pensar duas vezes, até porque as opiniões das pessoas que se encontraram comigo na altura se dividiam: uns adoraram, outros não acharam nada de especial. Em que grupo me iria eu inserir?

Este foi o primeiro livro que trouxe dessa Feira que decidi ler porque, vejam só, dado o seu reduzido tamanho (150 páginas) achava eu que o ia ler depressa. Desenganem-se, Goethe tem uma escrita algo complexa e, embora seja uma escrita cuja essência se percebe, exige uma leitura mais lenta e houve mesmo alguns parágrafos que li mais que uma vez. Mas esta capa, ó esta capa… estas cores com “paixão” no título faziam-me, pelo menos, pegar no livro, nem que fosse para ler poucas páginas de cada vez!

Em A paixão do jovem Werther acompanhamos as diversas cartas que Werther escreve ao seu amigo Wilhelm quando se encontra numa aldeia chamada Wahlheim. Nunca temos acesso às respostas de Wilhelm, mas compreendemos na mesma as inquietações de Werther, sobretudo quando se vê envolvido num trio amoroso. Werther apaixonou-se por Lotte, uma jovem que estava prometida a Albert (onze anos mais velho que ela), e vive dividido entre o ser correcto e respeitar as convenções sociais ou procurar viver esse amor. A história, em termos genéricos, não é muito mais que isto!

Por vezes, chega a ser angustiante acompanhar a própria angústia de Werther e compreendo que possa ser esse factor, aliado ao facto de a linguagem de Goethe ser pouco coloquial, que atrai os leitores que amaram esta obra. A mim, atraiu-me o facto de, contrariamente ao que acontece muitas vezes, termos um homem a passar por dilemas amorosos e conflitos internos, e não uma mulher. Ainda assim, a personagem Lotte é chata, uma mulher com a qual não me identifiquei e, embora estivesse presa a uma época em que o socialmente correcto vale mais que o coração, as suas intenções nem sempre são claras.

Como ponto negativo, aliás, como grande ponto negativo, aponto a forma como a história nos é contada, com uma linguagem nem sempre clara, por vezes desnecessariamente rebuscada e aponto ainda o facto de esta história ter mais a oferecer do que aquilo que o autor nos deu. No entanto, qualquer pessoa que já tenha passado por algo semelhante, mesmo que no século XX/XXI, vai identificar-se com parte da obra!

Por fim, e chamem-me exagerada se quiserem, acho que este livro escrito actualmente, com uma linguagem do século XXI e com alguns detalhes do nosso presente, seria um livro capaz de atrair mais gente. E era capaz de dar um YA interessante, quem sabe!!!

[Opinião] “Ulisses” de Maria Alberta Menéres

maria alberta merenes - ulissesTentei ler este livro não no meu actual papel de adulta, mas pondo-me no lugar de uma criança, visto que só o li agora e não quando andava na escola primária ou afins! Às vezes acho que não li metade do que devia ter lido quando era miúda… há que compensar o tempo perdido!

Então, neste Ulisses de Maria Alberta Menéres temos uma espécie de resumo, ou seja, temos a verdadeira história de Ulisses contada em Odisseia de Homero numa adaptação para crianças. Admiro a coragem de um autor ao tentar passar para poucas páginas e para uma linguagem simples uma história de tal complexidade como a de Odisseia. Não sei se era capaz. Porém, ao resumir as aventuras de Ulisses perde-se muito da essência desta história (penso eu, que nunca li Odisseia!) e acaba por ser tudo “um dia Ulisses isto”, “Um dia Ulisses aquilo”, sem que temporalmente as coisas façam muito sentido. Mas, lá está, sendo uma adaptação para crianças tinha mesmo de ser assim!

Gostei bastante de ter uma visão geral das aventuras de Ulisses, da forma como era acarinhado em Ítaca (onde era rei), da inteligência demonstrada na guerra em Tróia (embora com anos de atraso!), dos seus encontros com os deuses, da forma como lidou com os pretendentes de Penélope, mas… bem, faltou ali qualquer coisa, mesmo para um livro infantil (infanto-juvenil?)! Contudo, gostei do facto de a autora escrever directamente para o leitor, como se nos estivesse a contar ela própria a história, o que não deixa de ser verdade!

Ainda assim, e até pelas ilustrações, é um livro que merece ser lido!

[Opinião] “Memória das minhas putas tristes” de Gabriel García Márquez

Gabriel Garcia Márquez - Memória das minhas putas tristesPara além do que já disse no post anterior sobre este autor, não posso deixar de salientar o incrível dom que ele tinha para dar títulos às suas obras. Não costumam ser lá muito pequenos, é um facto, mas dizem praticamente tudo sobre a história! Este, embora possa induzir em erro e levar-nos a pensar que se trata de um livro sobre prostituição (que não deixa de ser), sobre sexo (que não é lá muito) ou onde acontece algo de muito triste (que, em parte, acontece), é muito mais que isso.

Em Memória das minhas putas tristes temos um velho jornalista que ao completar 90 anos decide presentear-se com uma noite de sexo (amor?) com uma jovem virgem. Entra em contacto com uma velha amiga sua, que lhe “arranja” uma menina pobre de 14 anos disposta a sujeitar-se a isso. Acontece que na noite em que o acto se ia consumar a menina estava a dormir quando o velho chegou e ele, que em 90 anos nunca se relacionou com nenhuma mulher sem lhe pagar, decide não a acordar e antes contemplá-la.

Parece uma história de um velho babão e é quase isso. Mas também é bem mais que isso. É uma história de amor que se reflecte, entre outras coisas, nas crónicas que este jornalista escrevia no jornal para o qual trabalhava há imensos anos, nas atitudes algo juvenis que um velho apaixonado tem, e na força que o amor tem aos 9 ou aos 90.

Contudo, a meu ver, o Crónica de uma morte anunciada consegue ser melhor que este livro, na medida em que a sua leitura é mais fluída.