[Opinião] “A fúria das vinhas” de Francisco Moita Flores

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[Opinião] “Percy Jackson e os ladrões do Olimpo” de Rick Riordan

Rick Riordan - Percy Jackson e os ladrões do Olimpo

Andava a adiar este livro há imenso tempo. Como ando a adiar tantos outros, aliás. Contudo, e como não me considero uma leitora muito esquisita e/ou preconceituosa, não tenho problema algum em admitir que volta e meia (e quando o tempo começa a aquecer então isto é mais visível) só me apetece mesmo é ler coisas leves, que não me ocupem muito a mente ou me importunem muito o espírito. As aventuras do Percy Jackson pareceram-me uma boa alternativa e não me enganei!

Para vos explicar esta história talvez deva começar por dizer que ela tem muitas semelhanças com a história do Harry Potter. Também aqui temos três amigos adolescentes que têm de salvar o mundo (ou um mundo específico, digamos assim) de um vilão qualquer e que vão sobrevivendo às coisas mais inacreditáveis. Contudo, se em Harry Potter temos feiticeiros e não feiticeiros, aqui temos deuses e não deuses (ou filhos de). Também temos uma personagem principal que, embora não seja orfã, desconhece o pai até certa idade (porque este era um Deus!) e na prática este continua inacessível até mesmo depois de o conhecer. A mãe (“simples” mortal) também nem sempre está presente e o padrasto é uma avantesma!

Sempre apreciei mitologia, embora baralhe a mitologia grega (retratada neste livro) com a romana e embora baralhe os Deuses todos e o que cada um fez. Mas gostei bastante desta maneira divertida como os diferentes mitos vão sendo apresentados, sem ser maçador ou uma imposição decorar tudo. Claro que ainda tem muito para andar até chegar aos pés de Harry Potter, e não li os volumes seguintes já porque acho mesmo que me cansaria deste registo, mas é uma boa alternativa para quem já leu Harry Potter e quer mais alguma coisa dentro do género.

Também se lê rápido, também nos apegamos facilmente a algumas personagens e também dá vontade de querer acompanhar o crescimento e as aventuras do Percy, que neste primeiro volume nos presenteia com toda uma aventura à volta do Raio de Zeus! Sei que há um filme baseado neste livro e o trailer parece até mesmo assustador, mas hei-de espreitá-lo assim que possível! O director deste filme, aliás, é o mesmo dos filmes do Harry Potter!

Convenci-vos? 😉

[Opinião] “As batidas perdidas do coração” de Bianca Briones

Bianca Briones - As batidas perdidas do coração

Parti para a leitura deste livro como parto tantas vezes para a leitura de muitos outros: por impulso. Ouvi alguém, algures, falar dele a propósito não sei de quê… e foi o suficiente. Talvez o que me tenha chamado a atenção, acima de tudo, tenha sido o facto de cada pequeno capítulo deste livro começar com um excerto da letra de uma determinada música, sendo que o tal capítulo vai de encontro a esses versos. Eu própria já tinha tido esta ideia e por isso mesmo não podia resistir a espreitar o trabalho de alguém que pensou o mesmo!!

Bianca Briones é uma autora brasileira de quem eu nunca tinha ouvido falar. O livro, como devem calcular, ainda não foi lançado em Portugal e daí pouco ou nada se ouvir falar dele por estes lados. Neste livro, temos a história de Viviane e Rafael, ambos a ultrapassar uma séria fase de luto. Ela perdeu o pai vítima de doença, ele perdeu vários familiares ao longo do tempo, sendo que a perda mais retratada aqui se refere a um acidente de automóvel. Ela vinha de uma família dita rica e equilibrada, onde ela era protegida principalmente por um avô que queria controlar tudo. Ele vinha de uma família mais humilde e tinha uma grande dificuldade em lidar com as perdas. Conheceram-se um pouco por acaso e depressa pareceu que se conheciam desde sempre. Nem sempre foi um relacionamento fácil ou que tivesse contado com o apoio de todos, mas…

Confesso que a capa deste livro induz em erro. E talvez o que eu disse logo de início também. Pelas minhas palavras e pala capa deste As batidas perdidas do coração (o título parece piroso, eu sei, mas lendo perceberão de onde ele vem) parece que temos um livro sobre rockeiros ou coisa assim e não é bem disso que se trata. Ou, pelo menos, não é só disso. É um livro sobre perdas, sobre o crescimento forçado que essas perdas por vezes trazem, sobre a vontade que temos ou não de mudar de rumo, sobre o azar que às vezes parece assombrar certas pessoas.

É um new adult bastante duro, assertivo e realista na maior parte do tempo. Até eu perdi algumas batidas do meu coração ao lê-lo (também soou piroso, eu sei, mas é verdade). Do meio para o fim então… sem palavras!

“Meu pai dizia que quando descobrimos que estamos apaixonados, o coração fica tão assustado que pula um batimento, como se estivesse se preparando para todas as variações de velocidade que vai ter que enfrentar a partir daí. É o que ele chamava de as batidas perdidas do coração. Segundo ele, o coração nunca recupera o ritmo correto até se encontrar no peito de outra pessoa.”

[Opinião] “Amy & Mattew” de Cammie McGovern

Cammie McGovern - Amy & Mattew

Demorei vários dias a processar o que li neste livro… Tenho lido livros com histórias relativamente pesadas e uma pessoa chega a um ponto em que é totalmente absorvida pelos diferentes personagens com que se depara!

Se não estou em erro, este livro ainda não foi lançado em Portugal. Ficou Amy & Mattew no Brasil e o original tem como título Say what you will. Não resisti a esta capa brasileira… Na verdade, não resisti a muita coisa neste livro…

Um pouco à semelhança do Por lugares incríveis de que já vos falei aqui, também Amy & Mattew tem como personagens principais dois jovens adolescentes (chamados Amy e Mattew, claro, bem ao estilo de Eleanor & Park) que frequentavam a mesma escola e cujos caminhos se cruzam da forma mais estranha possível.

Amy tem paralisia cerebral e Mattew um transtorno obsessivo-compulsivo. Isto assim dito numa frase parece algum tipo de preconceito da minha parte ou, no mínimo, uma visão redutora. Mas não, este é apenas o ponto de partida da história. Uma história tão pesada, tão dura. Estes jovens vão amadurecendo juntos, o sentimento que os une vai crescendo, mas muito fica por dizer, como tantas vezes acontece. Este livro é a prova de que gostar apenas não basta e que muito se perde pelo que não é dito.

É daqueles livros que dariam um excelente debate numa escola e que talvez fossem mais apreciados que os clássicos da literatura portuguesa que nos obrigam a estudar na adolescência e para os quais não estamos mentalmente preparados nem motivados. Mostra-nos como a diferença nem sempre é limitadora em determinados aspectos (Amy comunicava através de um “computador falante”, mas tinha um belíssimo QI, por exemplo) e como tantos de nós, aparente e fisicamente “normais”, podemos esconder os maiores segredos.

É um livro que fala da pressão da família ou da falta dela. Que fala da empatia automática que tantas vezes existe entre duas pessoas. É um YA assim bem a puxar para o adulto e espero sinceramente que Portugal aposte nele!

4 estrelas 🙂

[Opinião] “Por lugares incríveis” de Jennifer Niven

Jennifer Niven - Por lugares incríveis

Terminei a leitura deste livro há alguns dias e ainda me custa a expressar a minha opinião sobre ele. A minha ligação com este Por lugares incríveis foi estranha desde o início. Decidi lê-lo mal olhei para a sua capa, coisa que raramente faço, e fiquei presa desde as primeiras páginas.

Em Por lugares incríveis acompanhamos o desenrolar da relação entre Violet e Finch, dois adolescentes à beira do suicídio por motivos diferentes (ela pela perda da irmã num acidente de carro e ele por problemas psicológicos que se vão tornando óbvios no decorrer do livro) e que se conhecem na escola em que ambos estudam. O título deriva dos lugares que estes visitam juntos a propósito de um trabalho que tinham que realizar para a disciplina de Geografia, que frequentavam juntos.

É um livro para jovens adultos, mas não se pense que encara a temática suicídio de ânimo leve. Muito pelo contrário. É um balde de água fria em todos os aspectos e faz-nos pensar sobre a efemeridade da vida, sobre a importância que alguém passa a ter na nossa vida em determinada altura e o trabalho que dá construir essa relação. O final deste livro atropelou-me e gostava de não me ter sentido tão familiarizada com alguns aspectos deste livro, mas é uma leitura que aconselho sem dúvida alguma e gostava que as escolas aproveitassem este e outros livros do género como mote para debates com os seus jovens.

Aqui, para além do suicídio propriamente dito, vemos adolescentes comuns a sofrerem de problemas relativamente comuns, embora frequentemente imperceptíveis. É uma chamada de atenção para o facto de também a nossa mente precisar de tratamento, tal como um coração, um fígado, um rim, e para o facto de os problemas psicológicos serem encarados com algum preconceito pela população em geral.

Sei que, provavelmente, esta minha opinião não está a ter um fio condutor muito bom, mas posso dizer-vos que concordo, em parte, com o que se tem dito no Brasil sobre este livro (em Portugal, penso que ainda não foi lançado… ainda): este livro tem o seu quê de A culpa é das estrelas. Não é um retratar puro e duro do cancro, mas sim do deteriorar da mente, por assim dizer, de como é estar à beira do precipício e saltar dele ou não.

Gostei bastante do facto de o livro ser narrado ora por Violet, ora por Finch e embora se previsse desde o início que aquela empatia toda só poderia resultar em amor, é um romance bonito e triste ao mesmo tempo.

Espero sinceramente que mais gente lhe dê uma oportunidade!

“Aprendi que existem coisas boas no mundo, se você procurar por elas. Aprendi que nem todo mundo é uma decepção, incluindo eu mesmo, e que um salto a 383 metros de altura pode parecer mais alto que uma torre do sino se você estiver do lado da pessoa certa.”

“Digo pra mim mesma que não é nada além do choque natural do contato físico quando não estamos acostumados com alguém novo. Mas então correntes elétricas começam a subir pelo meu braço e ele está esfregando a palma da minha mão com o dedo, o que faz com que a corrente corra pelo resto do corpo. Oh-oh.”

[Opinião] “(More) Weird Things Customers Say in Bookshops” de Jen Campbell

Jen Campbell

“I don’t like biographies. The main character pretty much always dies in the end. It’s so predictable!”

Estes dois livrinhos, como os próprios nomes indicam, relatam as conversas mais inacreditáveis que já ocorreram em livrarias e outros locais de venda de livros. Acompanhados de belíssimas ilustrações, temos de tudo: desde o leitor que literalmente come livros e que acha que o papel liga melhor com estufados ao cliente que queria a Bíblia autografada por Jesus Cristo. As melhores pérolas nem sequer são as ditas por crianças, ao contrário do que esperava, como foi o caso daquele que disse que acreditava que tinha sido Sherlock Holmes numa vida passada e que ai de quem dissesse que ele não existiu então!!! E fiquem sabendo que o livro “E tudo o vento levou”, afinal, é sobre flatulência!! Curiosos?!

Com um inglês acessível e com bastante sentido de humor, recomendo estes dois livros a todos os amantes da literatura e das livrarias em geral. Contudo, não recomendo a leitura em locais públicos, pois correm um grande risco de rirem à frente de qualquer pessoa, como me aconteceu!!!

Weird Things Customers Say in BookshopsWeird Things Customers Say in Bookshops 2

[Opinião] “Meu pé de laranja lima” de José Mauro de Vasconcelos

meu-pe-de-laranja-lima1

Confesso que comecei este livro com pouco entusiasmo. Tinha ouvido várias opiniões bastante positivas acerca dele (nomeadamente da Cláudia e do Filipe), mas logo ao início não me foi muito fácil habituar-me à escrita do autor, carregada de expressões típicas do Brasil e de uma época muito específica. Depois de entrar na história, foi difícil largar o livro. É impossível não adorar o pequeno Zezé, o Portuga e até o Mindinho (o pé de laranja lima que é “confidente” e “conselheiro” do Zezé).

É um livro emotivo, embora tal não me passasse pela cabeça quando comecei a lê-lo. A inocência do Zezé, que o faz ser o miúdo mais fofo e o mais traquina de todos, é capaz de levar o mais duro dos corações às lágrimas (sem exagero!). Este livro só vem provar, como eu sempre digo, que as crianças são o melhor do mundo e que são bem mais inteligentes e capazes do que os adultos por vezes julgam. E, neste caso, no meio da pobreza (monetária e, por vezes, até de espírito) em que o Zezé vive, podemos encontrar uma linda história de amizade e compreensão.

Devia ter lido este livro mais cedo!