[Opinião] “O médico e o monstro” de Robert Louis Stevenson

8737494Em primeiro lugar, vou deixar um recado direccionado às pessoas que têm esta edição em particular: não desistam da leitura deste livro por causa da tradução! Embora no inicio a coisa até não vá correndo muito mal, a verdade é que a páginas tantas vemos “trem” em vez de “comboio” ou os sinais de exclamação utilizados em espanhol! Ok que este livro saiu gratuitamente com um jornal, mas…

Em O médico e o monstro, ou Dr. Jekyll and Mr. Hyde como é conhecido, temos a história do médico Jekyll, um homem respeitado e inteligente que mantém uma invulgar relação com Hyde, um homem baixo, de aparência estranha, de ar sinistro. Utterson, advogado e amigo de Jekyll, tenta alertá-lo para o facto de Hyde ser de carácter duvidoso e de já ter sido acusado de algumas façanhas impróprias, mas Jekyll parece não querer saber e deixou, inclusive, os seus bens a Hyde em testamento.

Toda esta história gira em torno das peças que Utterson tenta juntar para que esta estranha amizade entre o médico e Hyde faça sentido e confesso que a resolução desse mistério, que está presente sobretudo no último capítulo deste pequeno livro, me deixou boquiaberta. Acho que para isso contribuiu o facto de não ter lido sinopses (não leiam, algumas revelam coisas que não deviam neste caso) nem ter visto nenhum filme baseado nesta obra.

Este livro é considerado um dos clássicos do terror e percebo bem porquê: é todo um mistério em volta da amizade entre duas pessoas que toma proporções algo assustadoras e, embora talvez não muito reais, que fazem sentido dentro deste tipo de ficção. Nem sempre é fácil escrever terror sem se cair no ridículo e no inverosímil, mas aqui temos todo um pensamento que é preciso desenvolver à parte da história que desafia o leitor e que não o deixa descansar enquanto não chegar ao final.

Este é mais um livro bom para ler em um dia, pois nem duas horas demorei a lê-lo (e reli algumas partes para ter a certeza que não estava a delirar!), e não esperem pelo próximo mês do terror para o lerem! Vão por mim 🙂

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[Opinião] “O menino de Cabul” de Khaled Hosseini

18487904O menino de Cabul faz parte da minha lista de 15 livros para ler em 2015 e já há muito que o queria ler. Em Setembro, tive a oportunidade de o comprar a um preço razoável e em Outubro parti para a sua leitura com as expectativas bem altas porque só tinha ouvido maravilhas sobre ele.

Este livro começa por relatar-nos a amizade de Amir (filho do patrão) e Hassan (o filho do criado), dois meninos afegãos que, apesar da diferente condição social, tinham tido a mesma ama de leite. A amizade entre os dois não tinha em conta contas bancárias nem estatutos sociais e os dois meninos  divertiam-se a lançar papagaios, mesmo que Hassan tivesse que preparar as roupas ou a comida de Amir enquanto este ainda dormia. Contudo, um dia algo vem pôr à prova a amizade destes dois, a lealdade de ambos, e para agravar esta situação a família de Amir ainda se vê obrigada a fugir do Afeganistão após a invasão soviética, quando a amizade deles atravessava uma fase bastante conturbada. Esta é uma história de redenção, de procura da paz interior e até de aceitação. E acompanha algumas décadas da vida destes dois em que eles têm mais coisas a ligá-los do que imaginavam, mesmo que à distância.

A verdade é que este livro despertou em mim sensações que nunca nenhum outro livro tinha despertado. Talvez o facto de se centrar, inicialmente, em duas crianças tenha mexido mais comigo. Sei que tive que parar várias vezes de ler este livro, tendo mesmo chegado a ficar enjoada e enojada a determinada altura e sinto-me quase obrigada a alertar-vos para o facto de esta não ser uma obra para qualquer pessoa. É preciso ter estômago. E é precisamente por ter mexido tanto comigo que não poderia deixar de lhe dar 5 estrelas no Goodreads!

O facto de o autor ser afegão também contribui, a meu ver, para o sucesso deste livro. A narrativa não se centra nos conflitos por que este país passou, mas sim no seu povo, nos seus hábitos, costumes, tradições. É um retrato algo cruel dos afegãos, mas é uma realidade que precisamos observar e tentar compreender. É uma história com algumas coincidências, mas não em demasia. Enfim, tornou-se um dos livros da minha vida até por tudo aquilo que ele representa!

“(…) no Afeganistão há muitas crianças, mas pouca infância.” (p.286)

[Opinião] “As serviçais” de Kathyrn Stockett

kathryn stockett - as serviçais

Mas que livro! Entrou assim fácil, fácil para a minha lista de livros favoritos! O filme, aliás, que eu já tinha visto há uns anos aquando do seu lançamento, já me tinha tocado bastante. Mas vamos por partes…

Em resumo, esta é uma história sobre segregação racial. Passada em 1962, aqui Kathryn Sockett mostra-nos as diferenças entre negros, os criados encarregues de todo e qualquer serviço, e brancos, patrões que dependem dos negros para tudo (incluindo criar os seus filhos), numa sociedade americana ainda bastante hierarquizada. Mesmo depois de Rosa Parks ter posto fim à separação entre pretos e brancos nos autocarros, ainda temos nesta década de 60 uma separação bem acentuada entre raças. É de dar nos nervos! Os negros tinham, por exemplo, uma casa de banho (ou devo dizer um cubículo?) à parte na casa dos patrões, não usavam a mesma louça, não frequentavam as mesmas bibliotecas e nem pensar em casarem-se uns com os outros. Custa um pouco a crer que isto aconteceu até há bem poucas décadas atrás, não custa? Quer dizer, o pior é que na cabeça de muita gente, infelizmente, tal ainda faz sentido. E é por isso mesmo que admiro as personagens principais deste livro!

Nele temos Aibileen, uma criada negra que perdeu o seu único filho e que há já vários anos se dedica a criar os filhos das desatentas patroas brancas; Minny, outra criada negra um pouco mais nova que Aibeleen, com vários filhos, um marido bêbado e um temperamento esquentado, e Eugenia “Skeeter” (mosquito), uma branca que quer ser jornalista e que tem uma particular sensibilidade para estas questões da segregação racial devido, em parte, à afeição que tem pela criada que a criou e cujo paradeiro desconhece. Não posso deixar de mencionar também Hilly, uma patroa bastante irritante, cruel, insensível, invejosa, mandona, mal amada e que chega mesmo a dar pena (sobretudo por uma coisa terrivelmente engraçada que a apaixonante Minny lhe faz!). Embora Hilly não seja considerada uma personagem principal, a história gira muito em torno dela…

O caminho destas três personagens principais (que também são narradoras da história alternadamente) vai acabar por cruzar-se inesperadamente e vai acabar por resultar numa forte amizade e na mobilização de toda uma comunidade. O final não é tão definido e definitivo como eu gostaria que tivesse sido, mas este livro é tão delicioso que tudo lhe é permitido!

Leiam-no. Leiam-no porque não se vão arrepender!

Opinião em vídeo:

[Opinião] “Como um romance” de Daniel Pennac

19329948Depois de ter visto a Cláudia (do blog e canal A mulher que ama livros) falar sobre este livro de Daniel Pennac – muito entusiasmada, diga-se! – não resisti a comprá-lo até porque, como a Cláudia muito bem referiu no estaminé dela, era coisa para custar poucos euros. Dizia ela, também, que era um livro indispensável aos amantes de livros. E não é que é mesmo?

De uma forma muito divertida, neste livro o Daniel Pennac levanta questões muito pertinentes. Temos desde a importância da leitura desde a infância, as leituras obrigatórias na escola, o “ficar mal” dizer-se que não se lê e, imaginem só, até é um livro que traz os 10 direitos do leitor! Dei por mim a sublinhar pelo menos uma frase em cada página de tão delicioso que este livro é. E o que me deu que pensar… Talvez pegue nele como mote para alguns vídeos lá no canal

É mais um livro que se lê numa tarde e que, muito provavelmente, vos vai fazer questionar algumas verdades absolutas que foram coleccionando ao longo do tempo. Aconselho vivamente, apenas lhe mudava o título porque acho que induz um pouco em erro!

Os direitos inalienáveis do leitor:

1.O direito de não ler
2.O direito de pular as páginas
3.O direito de não acabar um livro
4.O direito de reler
5.O direito de ler no importa o quê
6.O direito de amar os “heróis” dos romances
7.O direito de ler não importa onde
8.O direito de saltar de livro em livro
9.O direito de ler em voz alta
10.O direito de não falar do que se leu

[Livro] “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá” de Jorge Amado

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Este é um dos meus livros preferidos de todos os tempos. Já o reli várias vezes, embora tenha pena de não as ter contado até agora. É tão bonito, na escrita de Jorge Amado e nas ilustrações de Carybé, que lê-lo é sempre um prazer!

Este livro foi escrito por Jorge Amado em 1948, quando o seu filho fez um ano. Anos depois, quando o filho, João Jorge, encontrou esta pequena história, não só a mostrou a Carybé como logo sentiu vontade de a publicar, desejo a que o pai acedeu. O resultado é este, e não me canso de o aconselhar a todas as pessoas que querem oferecer um livro a uma criança/jovem e não sabem qual. Ainda hoje retiro lições deste livro.

A história do Gato Malhado e da Andorinha Sinhá foi contado pelo Vento à Manhã, passada depois de boca em boca, e contada pelo Sapo Cururu ao autor. Outras personagens têm nomes muito engraçados, como a Galinha Carijó, a Vaca Mocha, o Reverendo Papagaio. Todos eles fazem parte desta história de amor entre um gato e uma andorinha, isto quando se sabe que os gatos se casam com gatas, os cães com as cadelas e os cavalos com as éguas. Será diferente no caso do Gato Malhado e da Andorinha Sinhá? Ou o Rouxinol, eterno apaixonado pela Sinhá, vai ter sorte?

É um livro que tem tanto de pequenino como de bonito. É uma horita da vossa vida que nunca será tempo perdido!

Classificação:
5/5

[Livro] “Jane Eyre” de Charlotte Brontë

jane eyre civilizacao

O primeiro livro que li em 2014 foi Jane Eyre da Charlotte Brontë. A primeira vez que ouvi falar dele assim fervorosamente foi através da Cláudia, do canal do Youtube A mulher que ama livros, uma autêntica apaixonada pela pequena Jane Eyre.

A história do livro é bonita e trágica ao mesmo tempo. Começa com a Jane Eyre em criança, órfã, que após perder os pais ficou a viver com um tio e a sua mulher e filhos, tio esse que, na hora da morte, pediu à sua mulher para tomar conta de Jane. Acontece que essa tia por afinidade não só não simpatizava com a Jane, como elas tinham feitios incompatíveis. A partir daqui, o livro relata toda uma vida repleta de voltas e reviravoltas e vamo-nos apercebendo dos factores que influenciam a personalidade de Jane, o seu temperamento e escolhas ao longo da vida.

Temos que ver que este livro, publicado pela primeira vez em 1847, remete para um tempo muito específico, onde as questões da honra, do que os outros vão pensar e das conveniências influenciavam bastante a vida das pessoas. Tal facto tanto nos dá nos nervos, como nos faz ficar viciados no livro à espera do que vem a seguir. Há algumas questões morais aqui presentes bem interessantes.

Houve uma altura, lá para o meio deste enorme livro, em que pensei que o seu final não ia ser o que eu queria que fosse, mas depois… bem, depois leiam!

Outra coisa de que gostei neste livro foi o facto de, além de estar bem traduzido, ser rico em palavras que eu desconhecia. Pelo menos eu não sabia o que é um gemebundo, um féretro, um lídimo, entre outros.

Aproveito também para vos falar da minha edição, da Civilização Editora, da qual gostei muito. Para já, adoro a capa. Pode parecer assim uma coisa simplória: olha que coisa, aqui várias velas de diferentes tamanhos aqui na capa. Mas não… À medida que se vai lendo Jane Eyre percebe-se o que as velas significam. Desconheço quem foi o autor desta ilustração, mas gostei muito. O que me ia dando cabo dos pulsos foi o livro em si… que me dei ao trabalho de pesar e pesava nada mais nada menos que 723g! Ao fim de algum tempo acreditem que começa a pesar…

Classificação do livro:
5/5

Agora, segue-se o filme! Quer dizer, um dos… Vou ver o de 2011.