[Filme] 12 anos escravo

12_years_a_slave_soundtrack

Este filme deixa-me um pouco indecisa. Se, por um lado, o tema é uma coisa que mexe comigo, que me dá nos nervos, que me dá voltas ao estômago e que nunca vou entender porque simplesmente não entendo o racismo, por outro lado estava à espera de um filme diferente de todos os outros filmes que já vimos sobre escravidão. E não o é.

Está certo que desta vez se trata de um homem livre que é feito escravo por ser negro e que se vê obrigado a esconder os seus atributos (nomeadamente o facto de saber ler e escrever) para sobreviver durante os 12 anos em que esteve a levar chibatadas e a trabalhar sem parar. E está certo que é baseado numa história verídica. Mas falta-lhe ali algo que o faça ser diferente! Faz-me lembrar O mordomo, que também precisava de algo mais para poder dizer que é um dos maiores filmes de sempre.

A verdade é que às vezes ouvimos falar tanto de um filme, criamos expectativas tão altas, e depois a realidade não corresponde ao que imaginávamos…

A única personagem que me marcou mesmo foi o próprio Solomon Northup (interpretado por Chiwetel Ejiofor, que participou no Love actually, onde fazia par com a Keira Knightley, mas que eu não estava a reconhecer) e acho que era preciso mais para se justificar tanto alarido à volta deste filme… mas isso sou eu que acho, claro!!!

Classificação:
7/10

[Filme] Forrest Gump

Forrest-Gump-Tom-Hanks-Bench-Suit-Suitcase- - Copy

Depois de ler o livro com o mesmo nome, decidi ver o filme, até porque nunca o tinha visto na íntegra… apesar de já ter passado na SIC imensas vezes! Imperdoável, eu sei!

Qualquer artigo de opinião que possam ler sobre este filme certamente vos dirá que vários pormenores (e às vezes não tão pormenores assim) diferem do livro para o filme e tal é totalmente verdade. No livro, vemos um Forrest que passa por um conjunto de felizes acasos. No filme, não são tantos esses felizes acasos e também são cortadas algumas partes, como o facto de Forrest jogar lindamente xadrez ou resolver equações matemáticas como ninguém….

A história de amor entre o Forrest Gump e a Jenny muda substancialmente no filme, mas eu até acho que para melhor. Encontra-se menos vezes ao longo da vida, o que no livro parece ser coincidências a mais, e temos também uma Jenny menos tresloucada.

É dada mais importância ao facto de Forrest Gump ser muito bom a correr, e mesmo sendo um filme de 1994 é curioso ver como foram capazes, já naquela altura, de incorporarem o Forrest Gump (brilhantemente interpretado por Tom Hanks) em imagens já existentes sobre factos importantes da História dos EUA.

Mesmo com todas as diferenças entre livro e filme, este é um daqueles casos em que as mudanças resultaram bem e a história não perdeu o seu sentido. É um bom filme!

Classificação:
7/10

[Filme] Rapariga com brinco de pérola

3f0d1e4e55fd988512c6d33821d4741f

Como vos tinha dito num dos primeiros posts deste blog, este ano tenho como objectivo ler mais livros que deram origem a filmes, e ver os respectivos filmes depois, como é óbvio. Nesse sentido, depois de ler Rapariga com brinco de pérola, e existindo uma adaptação para o cinema, lá fui eu ver o filme.

Ora, já tinha visto o filme há alguns anos atrás e tinha gostado bastante na altura, mas agora, depois de ter lido o livro, gostei menos um bocadinho!! Não é, de todo, uma má adaptação de um livro para o cinema, simplesmente alteraram um ou outro pormenor que, mesmo não alterando a história em si, diferem do original. Aliás, os melhores pormenores do livro desapareceram no grande ecrã!

As medições que a criada, Griet, faz para deixar tudo no mesmo lugar quando limpa o estúdio do pintor, a que eu achei tanta graça, não aparecem no filme, bem como a atenção que esta dá aos legumes quando os corta (no filme isto não tem qualquer lógica) e que fazem o pintor reparar logo nela no início. Um episódio que se passa também logo no início do livro entre Griet e uma filha de Johannes Vermeer só acontece mais a meio do filme. Se no livro se percebe que esse episódio condiciona parte da história, no filme, por acontecer a meio, parece uma coisa de menor importância.

O final do filme também não corresponde 100% ao livro. A criada e a esposa do pintor não se reencontram no final e o que acontece ao pintor até nem fica muito bem explícito (no livro subentende-se melhor). A parte em que Griet fura a(s) orelha(s) (no singular no filme e no plural no livro) também difere, bem como a descrição que é feita da senhora Vermeer grávida. Mas ler os livros dá nisto, o filme perde algum encanto que certamente terá para quem apenas viu o filme, sem saber a real história por detrás dele!

Em termos de actores, tenho a dizer que a Scarlett Johansson é perfeita para o papel de Griet e o Colin Firth (quem não o viu n’O discurso do rei, no O amor acontece ou n’O diário de Bridiget Jones?), como pintor, também vai muito bem! Tanto a Scarlett Johansson como Essie Davis (que faz de esposa do pintor) vão lindamente como holandesas que supostamente são no filme, apesar de na realidade serem americana e australiana, respectivamente.

Classificação:
7/10

Livros que deram filmes #1 – Orgulho e preconceito

O primeiro filme que vi em 2014 foi… (suspense)… Orgulho e Preconceito! Para dizer a verdade, já o tinha visto há uns anos, no cinema, quando estreou em Portugal. Mas na época, talvez também pela idade que tinha, não assimilei bem o filme. Juntando isso ao facto de não ter lido o livro na altura, vários pormenores acabaram por me passar. Agora, depois de ter lido o livro em Dezembro, percebo porque não gostei muito na altura… Mas vamos por partes.

Tentei ler o livro várias vezes ao longo dos últimos anos. Lia 30, 40 páginas no máximo, e logo perdia a motivação. Ao fim de tanta insistência de uma amiga, fã incondicional de Jane Austen, decidi que tinha de ser mais persistente. Ao início foi uma leitura difícil, às vezes parecia que a história não avançava muito. Culpo também a edição que estava a ler, muito má por sinal, que tinha gralhas atrás de gralhas (exemplos: “cagalos” em vez de “cavalos” ou “de qae daria um bile” em vez de “da qual daria um baile”), linhas muito juntas e diferentes tipo de letra na mesma página. Depois fui-me habituando a Jane Austen e foi impossível não ficar fã do Mr. Darcy ou não ver um pouco de mim em algumas personagens (quantas vezes não antipatizamos com alguém por motivos que depois se revelam infundados?). Algumas personagens são mesmo apaixonantes.

Já o filme foi precisamente o contrário! Se não tivesse lido o livro, não teria percebido algumas passagens entre cenas, tão rápida foi essa transição… É o caso do casamento do Wickman (não vou dizer com quem para não ser spoiler!!!). Por outro lado, a cena em que a Lizzy finalmente reconhece os seus sentimentos ficou lindíssima no filme e é prova de que, por vezes, as imagens valem mais que mil palavras! Ainda assim, continuo a não ser fã da Keira Knightley, a actriz que faz de Lizzy no filme.

Por falar em imagens, não posso deixar de falar dos figurinos e dos cenários deste filme. Achei-os muito reais. São cerca de duas horas que valem a pena, basicamente! Poderá não ser O filme, mas será um bom filme para vocês certamente…

Classificação do livro
4/5

Classificação do filme
7/10