[Livro] “Vasto mar de sargaços” de Jean Rhys

Atenção: contém spoilers para quem ainda não leu Jane Eyre!

vasto mar sargaçosAqui há uns dias, apercebi-me que de 34 livros que tenho da Biblioteca Sábado apenas li 3. Um resultado vergonhoso, eu sei! Então lá me decidi a pegar em alguns destes livros e o Vasto mar de sargaços chamou a minha atenção por ser uma história que se desenvolve em paralelo com Jane Eyre, de Charlotte Brontë, que li no início deste ano.

Este livro está dividido em 3 partes, sendo a primeira e a última narradas por Antoinette, “a louca do sótão” com quem Edward Fairfax Rochester era casado, e a segunda narrada (maioritariamente) pelo próprio Rochester. Começam por ser relatadas a infância e a adolescência de Antoinette, depois temos a visão de Rochester sobre o casamento e a sua falta de amor, ternura e afins pela esposa e, por fim, temos a visão de Antoinette sobre a sua passagem pelo sótão (uma parte tão pequena e a melhor do livro!).

Para ser sincera, este livro destruiu completamente a imagem que eu tinha de Mr. Rochester e fiquei com a impressão que ele era quase tão louco como a mulher (que, aliás, em Jane Eyre é chamada de Bertha, mas isso era como o marido lhe chamava, o seu nome verdadeiro era mesmo Antoinette). Se em Rapariga com brinco de pérola o criar de uma história por detrás de um quadro de um pintor holandês foi uma aposta ganha, neste caso foi quase um tiro no próprio pé tentar desenvolver a história de uma personagem secundária de Jane Eyre.

Um livro confuso, nada empolgante, e que destrói completamente a essência do maravilhoso clássico de Charlotte Brontë.

Classificação:

2estrelas

[Livro] “Jane Eyre” de Charlotte Brontë

jane eyre civilizacao

O primeiro livro que li em 2014 foi Jane Eyre da Charlotte Brontë. A primeira vez que ouvi falar dele assim fervorosamente foi através da Cláudia, do canal do Youtube A mulher que ama livros, uma autêntica apaixonada pela pequena Jane Eyre.

A história do livro é bonita e trágica ao mesmo tempo. Começa com a Jane Eyre em criança, órfã, que após perder os pais ficou a viver com um tio e a sua mulher e filhos, tio esse que, na hora da morte, pediu à sua mulher para tomar conta de Jane. Acontece que essa tia por afinidade não só não simpatizava com a Jane, como elas tinham feitios incompatíveis. A partir daqui, o livro relata toda uma vida repleta de voltas e reviravoltas e vamo-nos apercebendo dos factores que influenciam a personalidade de Jane, o seu temperamento e escolhas ao longo da vida.

Temos que ver que este livro, publicado pela primeira vez em 1847, remete para um tempo muito específico, onde as questões da honra, do que os outros vão pensar e das conveniências influenciavam bastante a vida das pessoas. Tal facto tanto nos dá nos nervos, como nos faz ficar viciados no livro à espera do que vem a seguir. Há algumas questões morais aqui presentes bem interessantes.

Houve uma altura, lá para o meio deste enorme livro, em que pensei que o seu final não ia ser o que eu queria que fosse, mas depois… bem, depois leiam!

Outra coisa de que gostei neste livro foi o facto de, além de estar bem traduzido, ser rico em palavras que eu desconhecia. Pelo menos eu não sabia o que é um gemebundo, um féretro, um lídimo, entre outros.

Aproveito também para vos falar da minha edição, da Civilização Editora, da qual gostei muito. Para já, adoro a capa. Pode parecer assim uma coisa simplória: olha que coisa, aqui várias velas de diferentes tamanhos aqui na capa. Mas não… À medida que se vai lendo Jane Eyre percebe-se o que as velas significam. Desconheço quem foi o autor desta ilustração, mas gostei muito. O que me ia dando cabo dos pulsos foi o livro em si… que me dei ao trabalho de pesar e pesava nada mais nada menos que 723g! Ao fim de algum tempo acreditem que começa a pesar…

Classificação do livro:
5/5

Agora, segue-se o filme! Quer dizer, um dos… Vou ver o de 2011.