[Livro] “A abadia de Northanger” de Jane Austen

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois daquela minha relação amor-ódio (foi mais ódio-amor, porque comecei por odiar) com Orgulho e preconceito, decidi que queria experimentar mais livros de Jane Austen. A promoção que houve há pouquíssimo tempo no Continente de que vos falei aqui veio mesmo a calhar e não tardou a que comprasse mais alguns da autora, mesmo tendo o Persuasão na estante há um ou dois anos. Como ando numa de romances (mas não daqueles muito melosos – é assim que os intitulo – como Nicholas Sparks), “ataquei” o A abadia de Northanger e… devorei-o! Em 24h já estava lido!

E que tenho eu a dizer sobre ele? Bem, é muito, mas mesmo muito mais fácil de ler que Orgulho e preconceito. Também é mais pequeno, é um facto. Nele, também existe uma personagem feminina de personalidade bem vincada, a Catherine, que foi passar umas semanas a Bath com um casal amigo e que por lá fez algumas amizades e deixou alguns rapazes de olhos postos nela (curiosamente, os irmãos de duas amigas que fez em Bath). O nome do livro vem, como dá para reparar, de uma abadia, onde Catherine passou algum tempo também, mas só do meio para o fim do livro é que esta aparece.

Este livro tem um final, a meu ver, um pouco atabalhoado. Acontece tudo muito rápido. Mas foi o primeiro romance escrito por Jane Austen e isso desculpa, de certa forma, essa pressa em terminar a história!

O mais engraçado neste livro é que Jane Austen vai contando a história, tudo normalmente, e quando já estamos habituados a ler uma narrativa contada na terceira pessoa, pumbas, ela faz assim uns apartes para os leitores numa espécie de tu cá, tu lá. Goza até um pouco com os romances góticos da época, romances esses que a personagem principal, Catherine, gostava de ler. Catherine procurava ser uma heroína como aquelas presentes nos livros que lia, mas não possuía nenhum atributo especial que contribuísse para isso.

É uma história engraçada e é sempre bom sermos transportados para aquele universo dos bailes, dos namoros em que as pessoas mal se tocam, dos casamentos em que o ponto principal é o dote. Mas bem, como dei 4 estrelas a Orgulho e preconceito, seria injusto dar o mesmo a este…

Classificação:
3/5

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Livros que deram filmes #1 – Orgulho e preconceito

O primeiro filme que vi em 2014 foi… (suspense)… Orgulho e Preconceito! Para dizer a verdade, já o tinha visto há uns anos, no cinema, quando estreou em Portugal. Mas na época, talvez também pela idade que tinha, não assimilei bem o filme. Juntando isso ao facto de não ter lido o livro na altura, vários pormenores acabaram por me passar. Agora, depois de ter lido o livro em Dezembro, percebo porque não gostei muito na altura… Mas vamos por partes.

Tentei ler o livro várias vezes ao longo dos últimos anos. Lia 30, 40 páginas no máximo, e logo perdia a motivação. Ao fim de tanta insistência de uma amiga, fã incondicional de Jane Austen, decidi que tinha de ser mais persistente. Ao início foi uma leitura difícil, às vezes parecia que a história não avançava muito. Culpo também a edição que estava a ler, muito má por sinal, que tinha gralhas atrás de gralhas (exemplos: “cagalos” em vez de “cavalos” ou “de qae daria um bile” em vez de “da qual daria um baile”), linhas muito juntas e diferentes tipo de letra na mesma página. Depois fui-me habituando a Jane Austen e foi impossível não ficar fã do Mr. Darcy ou não ver um pouco de mim em algumas personagens (quantas vezes não antipatizamos com alguém por motivos que depois se revelam infundados?). Algumas personagens são mesmo apaixonantes.

Já o filme foi precisamente o contrário! Se não tivesse lido o livro, não teria percebido algumas passagens entre cenas, tão rápida foi essa transição… É o caso do casamento do Wickman (não vou dizer com quem para não ser spoiler!!!). Por outro lado, a cena em que a Lizzy finalmente reconhece os seus sentimentos ficou lindíssima no filme e é prova de que, por vezes, as imagens valem mais que mil palavras! Ainda assim, continuo a não ser fã da Keira Knightley, a actriz que faz de Lizzy no filme.

Por falar em imagens, não posso deixar de falar dos figurinos e dos cenários deste filme. Achei-os muito reais. São cerca de duas horas que valem a pena, basicamente! Poderá não ser O filme, mas será um bom filme para vocês certamente…

Classificação do livro
4/5

Classificação do filme
7/10