[Livro] “Heidi” de Johanna Spyri

23 de janeiro de 2014 (33)

Esta história dispensa apresentações. Todos nós nos cruzamos em maior ou menor grau com ela na infância, embora em desenhos animados ou em livros muito resumidos e cheios de ilustrações. Tudo o que de novo vos possa dizer sobre este livro prende-se com as sensações que ele me provocou e as memórias que me fez repescar.

Quem gosta de crianças, quem gosta dos seus avós e quem gosta da interacção entre avós e netos não pode ficar indiferente a esta história. Heidi (e este não era o seu nome verdadeiro) era uma criança tão viva, tão inocente e ao mesmo tempo tão traquina e querida que nos dá vontade de ter uma dessas em casa, se fosse possível. Faz-me lembrar cada uma das crianças que me rodeiam habitualmente, todas cheias de respostas inesperadas. Porém, ao contrário das crianças de hoje em dia, Heidi só era feliz em liberdade, sem grandes confortos, na casa do avô que todos temiam, mas que só ela conhecia no seu íntimo. Nos últimos tempos, todos nos temos esquecido de como o campo, o ar puro, o contacto com os animais, com a terra, fazem bem. Fechamos as nossas crianças em casa, damos a desculpa da falta de tempo para os levar lá para fora e dizemos que sozinhos também não podem ir (e, efectivamente, hoje em dia já não podem mesmo). Torna-se mais fácil pô-los a jogar consola do que deixá-los andar no meio das cabras e ficarem todos sujos. Modernices!

O avô da Heidi é a minha personagem preferida. Pelo simples e tão importante facto de que vi nele muito do meu avô: sempre cheio de engenhocas e soluções por detrás de uma cara carrancuda, cara essa que desfazia para quem ele gostava. Um exemplo de como a sabedoria se adquire de muitas maneiras, mas que só a partilhamos com quem queremos. É uma ternura a relação entre este Velho do Planalto e a pequena Heidi (quem não se lembra das faces rosadas da Heidi, tão bem descritas no livro?).

A amizade da Heidi, tão nova, com Pedro e depois com Clara e respectivas famílias chega a ser comovente. A forma como desde os cinco anos a pequena Heidi procura o conforto dos outros, sobretudo dos mais velhos como a avozinha, e a inocência mostrada na forma como quer curar a cegueira desta são enternecedoras.

Este livro é uma lição de vida! E desperta os nossos sentidos. Dei por mim a sentir os raios de sol na minha cara (o que veio a calhar, com a chuva que se faz sentir), a querer voltar para o campo como fazia em criança com o meu avô e, principalmente, até pagava para poder voltar a aprender a ler e a sentir novamente o entusiasmo que senti ao fazê-lo aos meus 6 anos, tal como a Heidi sentiu no livro. Cheirou-me a leite de cabra, a flores. Senti frio. Senti vento. Tudo sem sair do sofá!

Só vos posso dar um último conselho: leiam este livro. Leiam mesmo! E ofereçam às vossas crianças. Eu já sei a quem o vou oferecer daqui a uns anos 🙂

Classificação:
4/5

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