[Opinião] “Um crime capital” de Francisco José Viegas

Um crime capital - Francisco José ViegasJá não me lembro bem como este livro me veio parar às mãos. Talvez o tenha encontrado em algum alfarrabista e me tenha chamado a atenção pelo nome do autor e pelo preço (vinha 1€ escrito a lápis na primeira folha). Ele foi ficando cá por casa, esquecido, provavelmente por esta edição passar bem despercebida! Mas eis que algo me fez lembrar da sua existência.

Se me acompanham no instagram, devem ter visto que visitei recentemente a Feira do Livro do Porto, e devem ter visto também lá que fui assistir a um debate onde Francisco José Viegas era o moderador. O nome deste autor no programa da Feira avivou a minha memória e culpei-me a mim própria por ainda não ter lido nada de um autor português relativamente conhecido, mais um na minha enorme lista de falhas com os autores nacionais… Mas antes tarde do que nunca!

Um crime capital não, não remete para Lisboa. Remete para o Porto enquanto Capital Europeia da Cultura em 2001. Em suma, neste livro várias pessoas são assassinadas e o chefe Jaime Ramos (pelo que entendi, personagem recorrente em vários livros do autor) e o inspector Isaltino de Jesus vão tentando descobrir qual o elo comum entre um casal de amantes, um informático e uma misteriosa rapariga. Quem será o assassino? A base dos policiais parece quase sempre a mesma, mas não é!

Quanto à minha opinião propriamente dita, tenho a dizer-vos que este livro foi uma agradável surpresa. Não é o melhor policial que já li (minha queria Agatha Christie!), mas Francisco José Viegas escreve bem (parece estranho dizer isto de um escritor, mas a verdade é que alguns que envergam esse título escrevem muito mal!), a história faz sentido e gostei do facto de ser um livro que se passa no Porto, que “espreme” a cidade e os seus locais, e que não se fica por Lisboa. Contudo, por vezes as referências a ruas, restaurantes e monumentos do Porto parecem um pouco forçadas, mas este aspecto tem uma atenuante: o livro foi, originalmente, publicado em formato de folhetim no Jornal de Notícias. A ligação entre o JN e o Porto já é vossa conhecida, por isso não admira que para agradar à maioria dos leitores deste jornal se tenha usado e abusado das referências a locais emblemáticos do Porto, bem como a outras localidades que lhe são próximas (até a minha Trofa é referida!).

Como aspecto negativo, e um aspecto que fez toda a diferença na hora de atribuir uma classificação a este livro (3.5* e não mais), saliento o facto de, por vezes, confundir algumas personagens e as ligações entre elas, sobretudo por causa dos seus nomes.

Enfim, tenho pena que este autor não seja mais conhecido pelo seu papel enquanto escritor e não por outros papéis que assume (como jornalista ou político), e lamento que não seja lido por mais pessoas porque, efectivamente, escreve bem e de forma simples.

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